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Instituto Serrapilheira lançará programa de formação internacional em Ciências Biológicas

Estudantes brasileiros de pós-graduação em Ciências Biológicas, com previsão de concluir mestrado na área este ano, poderão ter a oportunidade de participar de um curso de formação internacional.

O Instituto Serrapilheira lançará, no início de 2020, um programa de formação complementar em Ciências Biológicas, explorando suas interfaces com a Matemática, a Física e a Ciência da Computação.

O anúncio foi feito por Hugo Aguilaniu, diretor-presidente da instituição, em palestra durante o Fórum do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap). O encontro, realizado entre os dias 22 e 23 de agosto, em São Paulo, reuniu representantes de FAPs de 23 estados do país.

“O programa foi criado a partir da constatação de que os biólogos não são bem formados nessas três áreas. E isso é um problema, atualmente, porque as Ciências Biológicas têm gerado uma quantidade de dados muito grande e se tornado muito complexa. Isso requer que pesquisadores dessa área sejam capazes de usar os conhecimentos da Matemática, Física e Ciência da Computação”, disse Aguilaniu.

Alguns dos objetivos do programa são aproveitar o potencial do Brasil em Ciências Biológicas e formar uma rede de pesquisadores de excelência, que possam contribuir de maneira significativa para os avanços na área, tanto no país como no exterior.

De acordo com Aguilaniu, serão selecionados até 16 jovens pesquisadores, de todas as regiões do país, com graduação ou mestrado em áreas abrangidas pelas Ciências Biológicas, que tenham obtido o título de mestre dentro dos 12 meses anteriores ao lançamento da chamada pública.

Os selecionados irão participar de um treinamento intensivo, com duração de oito meses, previsto para acontecer no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa). O curso será ministrado por alguns dos mais renomados cientistas do mundo, cujas pesquisas exploram a relação das Ciências Biológicas com a Matemática, a Física e as Ciência da Computação.

“Será a primeira vez que biólogos participarão de um curso de formação em um instituto de matemática”, disse Aguilaniu.

Passados oito meses do treinamento intensivo, a ideia é que os selecionados façam um projeto de doutorado, sob a supervisão dos professores participantes do curso, e o submetam às melhores universidades, principalmente do exterior.

O Instituto Serrapilheira custeará todas as despesas dos selecionados para participar do treinamento intensivo no Rio de Janeiro. Já para o doutorado no país ou no exterior, a ideia é que as Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) dos respectivos estados dos selecionados concedam bolsas de estudo, explicou Aguilaniu.

“Há uma chance muito grande de os selecionados escolherem se candidatar a uma vaga de doutorado nas universidades no exterior, às quais os pesquisadores que irão ministrar o treinamento são vinculados. Mas eles também podem se candidatar a uma vaga no Brasil”, disse. “A ideia é que as FAPs concedam uma bolsa para esses estudantes fazerem o doutorado onde planejarem”, afirmou.

Após concluírem o doutorado e, eventualmente, pós-doutorado no exterior, os participantes do treinamento poderão competir por uma bolsa de reintegração, no valor de até R$ 1 milhão, que será concedida pelo Serrapilheira para voltarem ao país.

“A submissão dos projetos para o programa de treinamento deve começar no início de 2020 e os resultados serão anunciados em novembro do mesmo ano”, afirmou Aguilaniu.