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  • Rio contaminado por empresa norueguesa demorará séculos para se recuperar, diz cientista

    A mineradora norueguesa Hydro Norks, responsável pela maior parte do controle da refinaria Alunorte, no Pará, apresentou dois relatórios nesta segunda-feira em que nega que tenha havido contaminação das águas dos rios do entorno do município de Barcarena, no nordeste do Estado.

    A divulgação desse último laudo contraria, inclusive, um outro documento da própria empresa lançado em fevereiro deste ano em que admitia o uso de duto clandestino para lançar rejeitos no rio. A confissão foi feita após a divulgação de um estudo do Instituto Evandro Chagas que diz que houve contaminação ambiental em três comunidades de Barcarena.

    O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (INPA), Philip Fearnside, disse que o derramamento de substâncias tóxicas nos rios afeta profundamente a vida da população ribeirinha.
    “A população ribeirinha que usa a água do rio para sobreviver e a exposição a certas substâncias pode causar doenças graves. A empresa agora deveria ter que oferecer água pura para essa população espalhada”, apontou.

    Após o primeiro laudo do Instituto Evandro Chagas, o Ministério Público do Pará e o Ministério Público Federal iniciaram investigações e solicitaram novos estudos. O Ibama já aplicou uma multa de R$ 20 milhões à empresa por “realizar atividade potencialmente poluidora sem licença válida da autoridade ambiental competente” e por “operar tubulação de drenagem também sem licença”.

    Para Fearnside, a multa é um atitude positiva, mas ele questiona o valor aplicado.

    “É um empresa bilionária, então 20 milhões é um trocado para eles, mas é importante ter uma multa que chame a atenção da empresa. Porém não sei que tipo de regulamento existe em termos de valor de multa”, afirmou.

    Fearnside ressaltou o fato de que alguns desses danos são praticamente irreversíveis para o meio ambiente, que pode demorar séculos até que o ecossistema volte ao seu estado natural.

    “Algumas coisas não vão voltar mesmo. Foi encontrado urânio e esse tipo de substância dura séculos até ser eliminada. Agora eles vão ser depositados nos sedimentos e nos mananciais e isso diminui o impacto humano, mas eles ficam no ar, não é uma coisa que desaparece por completo”, disse.

    No comunicado divulgado na segunda-feira, a empresa disse que está realizando investimentos no valor de R$ 300 milhões na região de Alunorte que serão destinados ao sistema de tratamento de água da refinaria e para ações sociais nas comunidades.

    Fearnside defende que seja olhado com mais cuidado o histórico de acidentes ambientais das empresas que ganham licitações no Brasil.

    “O Brasil está no momento com uma enorme entrada de empresas chinesas, inclusive na parte de hidrelétricas. E a China é conhecida por ter uma péssima legislação ambiental. É necessário ter uma fiscalização sobre os históricos de todas as empresas, não só as estrangeiras. É só ver o que aconteceu com a Vale em Mariana (MG) para perceber que o problema não está no fato da empresa ser estrangeira”, completou.

    O Instituto Evandro Chagas emitiu nota, respondendo ao relatório da Hydro Norsk, que contestava o seus dados originais.

    “Os relatórios técnicos (RT’s) divulgados pelo IEC buscam sintetizar os resultados encontrados na análise das amostras. No entanto, esses documentos não contêm à exaustão todas as informações que se encontram nos Relatórios de Análises (RA’s) gerados para cada amostra. Nos RT’s são apresentados apenas dados essenciais para garantir a qualidade dos resultados”, escreveram. Por Sputnik Brasil

  • Lideranças denunciam aumento de doenças após vazamento de produtos tóxicos em Barcarena

    Lideranças de comunidades do polo industrial de Barcarena foram ouvidas nesta segunda-feira na Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Legislativa do Pará.

    A primeira liderança comunitária a prestar depoimento foi José Roberto Cravo, representante da Comunidade Quilombola Sítio Conceição. Em seguida, os deputados ouviram Maria de Fátima Dias dos Anjos, representante da Comunidade do Curuperé. Outras duas testemunhas que haviam sido convidadas não compareceram.

    Nos depoimentos, as lideranças relataram que, nos últimos anos, as atividades de exploração do pólo industrial geraram mudanças na coloração dos rios, mortandade de peixes e da vegetação, além de aumento de doenças nos moradores da região. Entre elas, câncer, doenças de pele, cegueira e até problemas de saúde mental. Uma criança e um adolescente teriam morrido em consequência do vazamento de produtos tóxicos.

    O relator da CPI que investiga a contaminação no polo industrial de Barcarena, Celso Sabino, considera as denúncias graves e afirma que a comissão quer ações mais diretas da prefeitura da cidade, especialmente na área próxima à empresa Hydro Alunorte. Sabino e outros parlamentares estiveram na região há uma semana.

    A empresa Hydro Alunorte afirma que ainda não tomou conhecimento da recomendação da CPI para a prefeitura de Barcarena. De acordo com a companhia, estudos realizados pela força-tarefa interna e por uma consultoria ambiental atestam que não houve transbordo das áreas dos depósitos de resíduos de bauxita.

    Também, segundo a Alunorte, não há indicação ou evidência de contaminação nas comunidades próximas da refinaria após as chuvas de fevereiro. Procurada, a Secretaria de Saúde de Barcarena disse que desconhece óbitos relacionados ao fato. Até o fechamento dessa edição não conseguimos contato com a prefeitura de Barcarena. Por Radioagencia Nacional

  • Rios e igarapés têm níveis altos de metais tóxicos em Barcarena, diz instituto

    Pelo menos nove rios e igarapés do Pará estão com níveis de metais tóxicos acima do permitido, após vazamento em depósito de rejeitos tóxicos de mineradora em Barcarena.

    A informação consta no segundo relatório técnico do Instituto Evandro Chagas sobre denúncia de impactos ambientais e riscos à saúde humana nas atividades de processamento de bauxita da empresa Hydro Alunorte, divulgado na última quarta-feira.

    O resultado da contaminação é água imprópria para consumo humano e pesca em diversas áreas analisadas.

    O pesquisador Instituto Evandro Chagas, Marcelo Oliveira, disse que a contaminação se espalhou por vários rios. “Tivemos níveis elevados fora da legislação de cinco a seis elementos químicos, dependendo do ponto onde foi coletado.”

    As amostras de água foram coletadas entre os dias 25 de fevereiro e 8 de março.

    Segundo o pesquisador, o instituto já monitorava a qualidade da água na região e o aumento do volume de metais tóxicos coincide com o lançamento de rejeitos feito pela Hydro em fevereiro após fortes chuvas na região.

    De acordo com o relatório, há níveis consideráveis de arsênio, chumbo, manganês, zinco, mercúrio, prata, cádmio, cromo, níquel, cobalto, urânio, alumínio, ferro e cobre.

    Os dados da Instituto Evandro Chagas mostram que o levantamento de auto monitoramento apresentado pela empresa, para comprovar o despejo controlado e sem risco, por canais irregulares, por onde passavam efluentes não tratados, são falhos e insuficientes.

    O médico e pesquisador do Instituo Evandro Chagas, Marcos Mota, destacou que ainda é preciso investigar mais sobre os danos provocados a saúde dos moradores das comunidades atingidas.

    “A população, tendo acesso a grande quantidade dessas substâncias, pode ter efeitos nocivos, como comprometimento pulmonar e principalmente neurológico”, afirmou o médico.

    O relatório recomenda que a água potável continue a ser disponibilizada até o final do período de chuvas à comunidades como Bom Futuro e Jardim dos Cabanos, abastecidas pelo rio Mucurupi.

    O documento também indica que a água deve ser distribuída também para os municípios de Barcarena e Abaetetuba nas localidades banhadas por outros rios afetados.

    Para o instituto, as águas superficiais e de consumo humano no entorno do empreendimento da Hydro devem ser continuamente bio monitoradas pela empresa.

    A Hydro informou que ainda não teve acesso ao conteúdo integral do relatório e que vai analisar o material antes de se pronunciar. De acordo com a empresa, em abril serão apresentadas as conclusões de uma análise interna, e outra independente, para esclarecer todos os fatos relevantes em torno dos descartes de águas da chuva e águas superficiais da área da refinaria de alumina. Por: EBC