Categoria: Ciência e Tecnologia

  • Estudo contribui para a produção de dispositivos eletrônicos flexíveis

    A eletrônica flexível é uma das grandes tendências tecnológicas na atualidade. Trata-se de um segmento em expansão acelerada com expectativa de dobrar o valor ao longo da próxima década.

    Equipamentos optoeletrônicos – que fornecem, detectam e controlam luz – extremamente leves e dobráveis deverão se tornar corriqueiros no futuro próximo e há muita pesquisa sendo feita para isso. Um exemplo é o trabalho recentemente publicado na Scientific Reports.

    Conduzido por pesquisadores brasileiros e italianos, trata-se de um estudo experimental e teórico que buscou melhorar as propriedades ópticas e eletrônicas do politiofeno. Por exibir leveza, flexibilidade e facilidade de processamento, o politiofeno é um material orgânico muito atraente em termos mecânicos.

    “A configuração do politiofeno, se processado no modo mais comum, por gotejamento e rotação [spin casting], é bastante desordenada, comprometendo seu desempenho óptico e eletrônico. Em nosso trabalho, a proposta foi ordenar o material, tornando-o muito mais seletivo na emissão e absorção de luz”, disse Marilia Junqueira Caldas à Agência FAPESP.

    Professora titular no Instituto de Física da Universidade de São Paulo, Caldas participou do estudo, contribuindo para a construção do arcabouço teórico que descreveu e explicou os dados experimentais.

    O ordenamento mencionado por ela foi obtido de um modo surpreendentemente simples. Uma gota do polímero em solução foi depositada sobre um suporte. À medida que evaporava, uma espécie de grade foi aplicada sobre a gota, fazendo com que passasse a apresentar uma sequência de estrias paralelas. O estriamento ordenou a estrutura interna do material [ veja a figura a seguir].

    Ordenamento do politiofeno: (a) ilustração esquemática do processo experimental; (b) microscopia confocal; (c) microscopia eletrônica de varredura; (d) micrografias de AFM (Atomic Force Microscope); (e) perfil de altura; (f) vista 3D do material ordenado (imagem: Scientific Reports). 
    “Com o ordenamento, o polímero passou a absorver e emitir luz de modo muito previsível, possibilitando emissão estimulada de luz em frequências não disponíveis no filme desordenado. Foi um ganho em seletividade. Além disso, o dispositivo resultante ficou muito mais leve do que outros com função similar, baseados em superposições de vários tipos de semicondutores”, disse Caldas.

    A relação entre ordenamento e seletividade foi explicada pela pesquisadora.

    “Fizemos um cálculo de dinâmica molecular para saber como o polímero se comportava na fase desordenada. Obtivemos um conjunto de estruturas tortuosas, enganchadas umas nas outras e enoveladas. Em uma situação dessas, o elétron que é arrancado de sua posição inicial pela incidência da luz pode se afastar do buraco deixado na cadeia de átomos e migrar para regiões bem distantes no interior do material”, disse.

    “Como isso ocorre com grande número de elétrons, o resultado é que a absorção e a emissão da luz se tornam extremamente desordenadas. Com a moldagem, as cadeias de átomos ficam quase lineares. E elétrons e buracos permanecem muito próximos, nas mesmas cadeias. O elétron sai e depois volta para o mesmo lugar. Absorve e emite ali”, disse Caldas.

    Desse modo, um material intrinsecamente desorganizado foi organizado durante o processo de “crescimento”. E a organização faz com que ele se preste a um amplo conjunto de aplicações optoeletrônicas.

    “Nossa abordagem demonstra uma estratégia viável para direcionar propriedades ópticas por meio do controle estrutural. A observação do ganho óptico abre a possibilidade do uso de nanoestruturas de politiofeno como blocos de construção de amplificadores ópticos orgânicos e dispositivos fotônicos ativos”, destaca o artigo.

    Caldas e Rodrigo Ramos, na época do estudo seu orientando de doutorado, receberam apoio da FAPESP por meio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Eletrônica Orgânica (Ineo). O Ineo é um dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia apoiados pela FAPESP em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

    O artigo Tailoring optical properties and stimulated emission in nanostructured polythiophene (doi: https://doi.org/10.1038/s41598-019-43719-0), de Alberto Portone, Lucia Ganzer, Federico Branchi, Rodrigo Ramos, Marília J. Caldas, Dario Pisignano, Elisa Molinari, Giulio Cerullo, Luana Persano, Deborah Prezzi e Tersilla Virgili, está publicado em www.nature.com/articles/s41598-019-43719-0.

    José Tadeu Arantes  |  Agência FAPESP

  • Prêmio Péter Murányi concederá R$ 250 mil a trabalhos em Alimentação

    A 19ª edição do Prêmio Péter Murányi tem como tema a Alimentação. A iniciativa distribuirá R$ 250 mil, sendo R$ 200 mil para o trabalho vencedor, R$ 30 mil para o segundo e R$ 20 mil para o terceiro colocado. As inscrições estão abertas até o dia 31 de agosto de 2019.

    Para inscrever os projetos, é necessário que o trabalho seja indicado por uma instituição cadastrada na Fundação Péter Murányi e atenda a três critérios fundamentais: inovação, aplicabilidade prática e que impacte positivamente populações habitantes de regiões em desenvolvimento.

    Voltado para toda a América Latina, o Prêmio Péter Murányi é realizado anualmente. A cada edição, alternam-se os temas “Alimentação”, “Educação”, “Saúde” e “Ciência & Tecnologia”. Essas temáticas são revisitadas a cada quatro anos.

    Os finalistas desta edição serão anunciados em fevereiro de 2020. Para cadastrar a instituição, o candidato deve enviar um e-mail para premio2020@fundacaopetermuranyi.org.br, com o assunto “Cadastro no Colégio Indicador 2020”.

    Mais informações: https://bit.ly/2JylT8Y.

    Agência FAPESP

  • Professores da Unicamp e da UFMG lançam guia sobre neurocirurgia

    O livro Fundamentos da neurocirurgia: um guia para médicos e estudantes de medicina (Springer, 2019) será lançado no dia 30 de julho de 2019 na Amazon.

    A publicação foi produzida pelos neurocirurgiões Andrei Fernandes Joaquim, Enrico Ghizoni e Helder Tedeschi, professores do Departamento de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), junto com Mauro Augusto Tostes Ferreira, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

    O objetivo do livro é fornecer aos médicos e estudantes de medicina um conhecimento básico dos distúrbios neurocirúrgicos mais comuns e preencher uma lacuna entre medicina clínica e neurocirurgia.

    O livro é composto de capítulos que discutem cada uma das condições médicas mais importantes que merecem intervenção neurocirúrgica, fornecendo informações importantes sobre diagnóstico, aspectos clínicos, manejo da doença, procedimentos cirúrgicos e prognóstico. As fronteiras e os avanços na neurocirurgia também são abordados na publicação.

    A edição em inglês já está em pré-venda no site da Amazon e custa R$ 549,17.

    Mais informações: www.fcm.unicamp.br/fcm/comunicacao/16216 

    Agência FAPESP

  • Biossensor para diagnóstico rápido e preciso de zika

    Uma tecnologia de baixo custo para diagnosticar de forma rápida e precisa o vírus zika foi desenvolvida por pesquisadores ligados ao Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP e sediado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

    Resultados da pesquisa foram publicados nas revistas Scientific Reports e Talanta.

    O grupo, liderado por Talita Mazon, do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, em Campinas, desenvolveu um biossensor portátil, econômico e simples de usar – ideal para aplicações no ponto de atendimento. O custo estimado do dispositivo é de R$ 450.

    Uma placa de circuito impresso comumente usada em aparelhos eletrônicos foi modificada pelos cientistas, que elaboraram um compósito de óxido de zinco e grafeno para imobilizar um anticorpo contra a proteína NS1 do zika em um eletrodo. A placa biossensora mostrou alta sensibilidade e seletividade para a proteína-alvo.

    Com apenas uma gota de urina do paciente é possível fazer o teste e a presença da molécula viral se torna visível em gráficos na tela de um computador ou de um equipamento portátil, como um telefone celular.

    Segundo Mazon, o importante é que o biossensor consegue distinguir o zika do vírus da dengue. As duas espécies aparentadas produzem proteínas semelhantes e a maioria dos testes existentes pode dar resultados falsos positivos e falsos negativos, comprometendo o tratamento.

    “Conseguimos identificar o zika desde o primeiro até o oitavo dia da infecção”, disse a pesquisadora à assessoria de comunicação do CDMF. O centro também recebe financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) por meio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Materiais em Nanotecnologia (INCTMN).

    O artigo Controlling parameters and characteristics of electrochemical biosensors for enhanced detection of 8-hydroxy-2′-deoxyguanosine , de Aline M. Faria, Elisa B. M. I. Peixoto, Cristiane B. Adamo, Alexandre Flacker, Elson Longo e Talita Mazon, pode ser lido em www.nature.com/articles/s41598-019-43680-y.

    O artigo Early diagnosis of Zika infection using a ZnO nanostructures-based rapid electrochemical biosensor, de Aline Macedo Faria e Talita Mazon, pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0039914019304783?via%3Dihub.

    Agência FAPESP

  • Lançada a quarta edição da BBEST, conferência internacional sobre bioenergia

    A Brazilian Bioenergy Science and Technology Conference (BBEST) 2020 foi lançada no dia 13 de junho, em cerimônia na sede da FAPESP.

    Em sua quarta edição, a conferência científica internacional, criada por iniciativa do Programa FAPESP de Pesquisa em Bionergia (BIOEN), ocorrerá de 30 de março a 1º de abril de 2020, em São Paulo.

    A conferência reunirá pesquisadores, estudantes e lideranças dos setores público e privado do Brasil e do exterior para discutir os principais avanços científicos e tecnológicos em bioenergia. O tema do encontro será inovação.

    “O setor de bioenergia tem passado por uma série de transformações. A inteligência artificial tem sido aplicada na produção de cana-de-açúcar e a indústria 4.0 ou manufatura avançada, junto com a biologia sintética, está começando a entrar no radar da área. Essas tendências serão abordadas na BBEST 2020”, disse Glaucia Mendes Souza, professora do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora do BIOEN.

    Durante a conferência também serão apresentados os mais recentes resultados de pesquisas apoiadas pelo BIOEN. Lançado em 2009, o programa já mobilizou US$ 200 milhões para o financiamento de pesquisas realizadas por mais de 400 pesquisadores e 500 bolsistas ligados a universidades e instituições de pesquisa, em 230 projetos.

    Os projetos contaram com a participação de 15 empresas de grande porte, várias agências nacionais e internacionais e colaborações científicas com 31 países. O programa também já apoiou 169 pequenas empresas de base tecnológica, com excelentes perspectivas de crescimento.

    “O BIOEN foi criado com o objetivo de incentivar e aumentar a quantidade de pesquisadores no Estado de São Paulo envolvidos com temas relacionados à bioenergia. Esse setor é muito importante para o Estado de São Paulo, onde se produz metade do etanol que sai das usinas no Brasil, com maior produtividade, em geral, do que em outras regiões do país”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

    “O programa atingiu esse objetivo, tem trazido muitos resultados e contribuído para que a pesquisa e os cientistas no Estado de São Paulo tenham participação efetiva na agenda mundial sobre bioenergia”, avaliou.

    A programação científica do evento abordará questões relativas às matérias-primas – como agronomia, melhoramento genético e biotecnologia de plantas energéticas –, além de tecnologias de processamento de biomassa e produção de biocombustíveis.

    Outros temas discutidos na conferência serão biorrefinarias, motores e outros dispositivos de conversão de biocombustíveis para uso na aviação, no setor de transporte marítimo e de cargas, sustentabilidade e impactos ambientais e socioeconômicos da bioenergia. Esses temas são abrangidos pelos projetos apoiados pelo BIOEN.

    “A BBEST é uma vitrine dos resultados das pesquisas apoiadas pelo BIOEN”, disse Souza. “Já conseguimos desenvolver variedades de cana transgênicas, que estão em teste em campo, conseguimos sequenciar o genoma da cana e temos programas de melhoramento usando tecnologias avançadas, baseadas em estatística e genética”, afirmou.

    Em 30 de março de 2020, no primeiro dia da conferência, haverá um “Policy Day”, ocasião em que autoridades do governo estadual e federal e lideranças na área de bioenergia do Brasil e do exterior discutirão políticas públicas sobre o tema. Nos dias 31 de março e 1º de abril serão realizadas sessões plenárias e paralelas e de apresentação de pôsteres. Paralelamente à parte científica do evento, a conferência contará com apresentações de startups.

    Durante a BBEST 2020 também será realizada a reunião do comitê executivo da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). Os pesquisadores integrantes do BIOEN coordenam a participação brasileira em uma das forças-tarefa da entidade, sobre comercialização de biocombustíveis convencionais e avançados, e participam da força-tarefa sobre sustentabilidade e impactos da bioenergia.

    “Estamos vivendo uma grande transição na geografia da energia. Até 2000, 40% da energia global era usada pelos Estados Unidos, Canadá e Europa e 20% por países da Ásia. De 2000 para 2017 isso se inverteu, e o principal consumidor de energia passou a ser a Ásia, incluindo, principalmente, a China e a Índia”, disse Luiz Augusto Horta Nogueira, pesquisador associado do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Universidade Estadual de Campinas (Nipe-Unicamp).

    “Isso tem impulsionado uma transição energética mundial em direção a fontes alternativas de produção de energia mais limpas, como a proveniente da bioenergia. Essa discussão será aprofundada na BBEST 2020”, afirmou Horta, que é presidente da conferência, junto com Souza.

    A última edição da BBEST reuniu 385 participantes, de 14 países, entre pesquisadores, estudantes e profissionais de empresas. Durante o encontro foram apresentados mais de 230 projetos de pesquisa em bioenergia.

    “A BBEST representa uma excelente oportunidade de conexão de empresas do setor de bioenergia com a área acadêmica e uma agência que financia pesquisas na área”, disse Luis Fernando Cassinelli, membro da coordenação da área de pesquisa para inovação da FAPESP e do BIOEN.

    Mais informações sobre a BBEST 2020: www.bbest.org.br.

    Elton Alisson  |  Agência FAPESP

  • Vírus geneticamente modificado combate câncer de próstata

    Pesquisadores do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) conseguiram manipular geneticamente um tipo de vírus que, uma vez injetado em camundongos com câncer de próstata, destruiu células tumorais.

    O vírus também deixou as células tumorais ainda mais sensíveis ao tratamento com quimioterapia, chegando a eliminar os tumores completamente.

    Os resultados foram obtidos pela equipe de Bryan Eric Strauss, diretor do Laboratório de Vetores Virais no Centro de Investigação Translacional em Oncologia (CTO) do Icesp, e publicados na revista Gene Therapy, do grupo Nature.

    O trabalho contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), no âmbito do Projeto Temático “Terapia gênica do câncer: alinhamento estratégico para estudos translacionais”, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Sanofi-Aventis.

    “No combate ao câncer de próstata, empregamos em camundongos uma combinação de terapia gênica e quimioterapia”, disse Strauss. “Escolhemos a via que consideramos com mais potencial de funcionar como supressor de tumores.”

    Strauss se refere a um gene conhecido como p53, que controla aspectos importantes da morte celular e existe tanto em humanos como em roedores. Em laboratório, o gene foi inserido no código genético de um vírus (da família Adenovírus). O vírus modificado foi, por sua vez, injetado diretamente nos tumores em camundongos.

    “Primeiramente, implantamos células de câncer de próstata humano e esperamos o tumor crescer. Quando isso ocorreu, injetamos o vírus diretamente na massa do tumor, procedimento repetido várias vezes. Em duas dessas ocasiões, aplicamos também a droga cabazitaxel, usada comumente em quimioterapia, por via sistêmica. Depois disso, observamos os camundongos para verificar se ocorreria ou não o desenvolvimento dos tumores”, disse Strauss.

    O experimento fez uso de diversos grupos de camundongos, todos inoculados com células de tumor de próstata. Para verificar a efetividade da terapia gênica, um grupo de animais recebeu um vírus irrelevante – grupo de controle.

    Um segundo grupo recebeu apenas vírus que codificavam o gene p53. Um terceiro grupo recebeu somente a droga cabazitaxel e, no último, correspondente a um quarto dos animais, foi injetada uma combinação da droga com o vírus.

    Quando as células tumorais foram infectadas pelo vírus modificado, esse penetrou o núcleo da célula – que é onde os genes agem –, comandando a morte celular. O gene p53 foi especialmente eficaz em induzir morte em câncer de próstata.

    “Os tratamentos individuais com p53 ou com cabazitaxel tiveram um efeito intermediário em termos de controlar o crescimento do tumor. Mas o resultado marcante foi a combinação, que inibiu o tumor totalmente”, disse Strauss.

    Os experimentos comprovaram que o vírus modificado, ao infectar as células tumorais, induz a morte dessas células.

    “A associação da droga com a terapia gênica resultou no controle total de crescimento do tumor. Ou seja, o que se viu foi um efeito aditivo ou até sinérgico. Também pode-se pensar que o vírus com o gene p53 deixou a célula tumoral mais sensível para a ação do quimioterápico”, disse Strauss.

    O pesquisador ressalta que ainda não é possível simplesmente injetar o vírus na corrente sanguínea. “Para essa terapia surtir efeito, precisamos injetar o vírus diretamente nas células tumorais”, disse.

    Ele lembra que os tumores podem ser controlados usando somente drogas de quimioterapia, mas que a dosagem necessária costuma ser elevada, resultando em efeitos colaterais. Um deles é a queda de glóbulos brancos na circulação. Essa queda é um dos limites para a aplicação desse tipo de quimioterapia, uma vez que prejudica o sistema imune do paciente.

    “Em nosso estudo, aplicamos bem menos drogas usadas em quimioterapia. A dose foi subterapêutica, ou seja, não suficiente para controlar o tumor, mas fizemos isso para tentar evitar a leucopenia, que é a redução no número de glóbulos brancos”, disse Strauss.

    O bioquímico e biólogo molecular californiano de 52 anos vive em São Paulo desde 1998, tendo já trabalhado três anos no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo e 10 anos no Instituto do Coração (InCor), antes de ingressar no Icesp, em 2011. “Foi durante esse tempo que todos os vetores virais que utilizamos foram desenvolvidos. Trata-se de uma tecnologia totalmente brasileira”, disse.

    Sistema imune

    Destruir as células tumorais com p53 não garante que todas as células cancerosas serão eliminadas, incluindo as metástases. Para melhorar a abordagem, pesquisadores contam com a ativação da resposta imune.

    Strauss conta que, se a combinação p53 mais cabazitaxel não for suficiente para ativar o sistema imune, pode ser considerado o uso de um segundo gene aliado ao tratamento com p53.

    No caso, foi escolhido o interferon beta, chave para a boa função do sistema imune. Interferon é uma proteína produzida por leucócitos e fibroblastos para interferir na replicação de fungos, vírus, bactérias e células de tumores e estimular a atividade de defesa de outras células.

    “Tanto o p53 como o interferon beta podem induzir morte nas células tumorais e a união dos dois faz que a morte das células alerte o sistema imune. É a morte imunogênica”, disse Strauss.

    Trabalhos anteriores do grupo servem como base para a ideia. Quando a combinação de genes ARF (parceiro funcional de p53) e interferon beta foi inserida no núcleo da célula tumoral, o sistema imunológico dos roedores deixou de reconhecer as células tumorais como pertencentes ao organismo dos camundongos, passando a identificá-las como se fossem agentes externos que devem ser combatidos.

    “Quando isso ocorre, o sistema imune dos camundongos passa a combater as células tumorais tanto no local do tratamento como em tumores distantes desse local”, disse Strauss.

    “Nosso objetivo agora é melhorar essas abordagens. Estamos fazendo ensaios para determinar se merecem avançar para a fase de testes clínicos com pacientes humanos”, disse.

    O artigo Combination of cabazitaxel and p53 gene therapy abolishes prostate carcinoma tumor growth (doi: https://doi.org/10.1038/s41434-019-0071-x), de Rodrigo Esaki Tamura, Marlous G. Lana, Eugenia Costanzi-Strauss e Bryan E. Strauss, está publicado em: www.nature.com/articles/s41434-019-0071-x.

    Peter Moon  |  Agência FAPESP

  • Inovação é crucial para aumentar o ganho de produtividade do país

    A estagnação da produtividade da economia brasileira nos últimos anos se deve, entre outros fatores, à baixa atividade de inovação do setor industrial no país. A fim de mudar esse quadro serão necessárias políticas públicas que fortaleçam a agenda da inovação e, principalmente, de um esforço maior da iniciativa privada em incorporá-la.

    A avaliação foi feita por participantes de um debate durante o 8º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria. Promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o evento ocorreu nos dias 10 e 11 de junho em São Paulo.

    “O Estado tem o papel importante de alavancar o investimento e o esforço do setor privado em inovação. Mas o protagonismo nessa seara é, fundamentalmente, da iniciativa privada”, disse Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo (CTA) da FAPESP, durante o evento.

    “Sem uma iniciativa forte do setor privado em inovar, as políticas públicas voltadas a fomentar essa atividade serão inócuas”, disse Pacheco.

    Segundo Jorge Almeida Guimarães, diretor-presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Emprapii), há 307 mil empresas classificadas como indústrias no Brasil, das quais 83% são pequenas empresas.

    Se um número pequeno dessas empresas inovasse já seria possível, em poucos anos, sair da crise econômica em que o Brasil se encontra, estimou. “Estimular a inovação nas pequenas indústrias brasileiras representa um enorme desafio e custa caro. Precisamos de políticas públicas que facilitem esse processo”, disse.

    Políticas públicas de apoio à inovação deveriam ter foco não só a inovação disruptiva, baseada em pesquisa e desenvolvimento (P&D), mas também na inovação incremental, recomendou Igor Nazareth, subsecretário de inovação do Ministério da Economia. “A inovação organizacional e de processos, por exemplo, traz ganhos de produtividade para as indústrias”, disse.

    Outra medida necessária é estimular a difusão de tecnologias existentes, como de internet das coisas (IoT), big data, robótica avançada e inteligência artificial, que permitiriam ao setor industrial brasileiro se capacitar para atender às exigências da indústria 4.0 ou da manufatura avançada no país, ponderou Pacheco.

    “Ao olhar para o parque industrial do país vemos que há uma grande necessidade de difundir tecnologias existentes de modo a atualizá-lo. Parte das políticas públicas de inovação deve ter esse foco”, disse o diretor-presidente da FAPESP.

    Continuidade de políticas

    Na avaliação dos palestrantes, apesar das crises estruturais houve um progresso significativo no desenvolvimento de políticas públicas voltadas à inovação no Brasil nos últimos 20 anos.

    Nesse período foram criadas, por exemplo, a Lei de Inovação, que trouxe uma série de avanços para aumentar a interação entre universidades e empresas em pesquisas e que estabeleceu incentivos fiscais para a inovação no setor industrial.

    “O Brasil conta com inúmeros modelos inovadores de gestão da inovação e com instituições de ciência e tecnologia. Essa experimentação institucional contínua é fundamental para estabelecer um sistema de inovação saudável e produtivo no país”, disse Cauam Ferreira Pedroso, pesquisador do Centro de Performance Industrial do Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos.

    Um dos desafios na implementação de políticas públicas voltadas a estimular a inovação, porém, é garantir a segurança jurídica para as empresas fazerem investimentos nessa atividade, disse Paulo Alvim, secretário de empreendedorismo e inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

    “É fundamental o entendimento de que a inovação é um processo continuado. Não podemos ter processos espasmódicos, mas evolutivos, e que garantam o fluxo de recursos necessários para fortalecer a capacidade de inovação das empresas”, disse.

    Outro desafio apontado por Pedroso é não tratar as políticas de inovação de forma isolada de outras, como as econômicas e sociais. “As políticas de inovação são transversais e influenciam as políticas econômicas e sociais”, afirmou.

    “Nesse sentido, a agenda de políticas econômicas e sociais do Brasil está intimamente ligada à capacidade de implementação de uma agenda de inovação e crescimento estratégica”, disse Pedroso.

    Elton Alisson  |  Agência FAPESP

  • Inpe terá evento de introdução à pesquisa em Ciências Espaciais

    O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sediará os Sábados de Introdução à Pesquisa para Adolescentes em Ciências Espaciais (Space) nos dias 14 e 21 de setembro de 2019, em São José dos Campos (SP).

    Segundo o Inpe, trata-se de um curso de introdução às Ciências Espaciais destinado a estudantes do ensino médio. Entende-se por ciências espaciais a Astronomia, Astrofísica, Aeronomia e Geofísica Espacial.

    Os objetivos são trazer conhecimento e motivar a inserção das ciências espaciais no cotidiano dos alunos e identificar jovens talentos. A programação do Space inclui interação com cientistas do Inpe, atividades práticas em laboratórios e telescópios, visitas às instalações do Inpe e gincana com prêmios.

    As inscrições devem ser feitas até o dia 30 de junho, pelo site do Inpe. O evento é gratuito, com almoço incluso. O endereço do Inpe é av. dos Astronautas, 1.758, Jardim da Granja, São José dos Campos, SP.

    Mais informações: www.inpe.br/space/2019.

    – Agência FAPESP

  • Nova tecnologia permite classificar o tumor cerebral mais comum em crianças

    Uma metodologia de baixo custo para classificar os diferentes tipos de meduloblastoma, tumor maligno do sistema nervoso central mais comum em crianças, foi desenvolvida por um grupo de pesquisadores em São Paulo em colaboração com colegas de instituições na Suíça e na Alemanha.

    O novo método tem precisão semelhante à das caras tecnologias para sequenciamento de última geração e dá subsídios para a tomada de decisão quanto ao melhor tratamento mesmo em países com poucos recursos.

    Os resultados da pesquisa, apoiada pela FAPESP, foram publicados na revista Acta Neuropathologica Communications.

    Os pesquisadores avaliaram tumores de 92 pacientes, de 1 a 24 anos de idade, atendidos no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, e no Centro Infantil Boldrini, em Campinas.

    Para isso, usaram o método conhecido como PCR (reação em cadeia da polimerase) em tempo real (qPCR), que demanda o uso de equipamento que custa em média US$ 30 mil e é bastante comum em laboratórios de genética e em alguns hospitais brasileiros, de acordo com Gustavo Alencastro Veiga Cruzeiro, que realizou o trabalho durante o doutorado na FMRP-USP, com Bolsa da FAPESP.

    Em uma primeira rodada, os cientistas verificaram a expressão de 20 genes associados ao meduloblastoma, dois a menos que os normalmente analisados em tecnologias mais caras, como o NanoString nCounter. O custo da análise de cada amostra foi igual em todas as tecnologias: US$ 60, valor idêntico às tecnologias de alta precisão disponíveis para a avaliação da expressão dos genes em tumores, de modo a permitir sua classificação em subgrupos.

    Mas os pesquisadores foram mais longe: observaram também por qPCR que a expressão de apenas seis genes-chave nas amostras tumorais era suficiente para definir o grupo a que pertenciam. Com isso, o custo baixou para US$ 26 por amostra.

    Os resultados foram confirmados por meio de um programa de computador e da aplicação de um algoritmo em 763 amostras de meduloblastomas, depositadas em um banco de dados e previamente classificadas em institutos internacionais.

    Por fim, 11 amostras aleatórias, das 92 coletadas no Brasil, foram enviadas para o Hospital Infantil de Zurique, na Suíça, e para o Centro de Câncer DKFZ em Heidelberg, na Alemanha, para serem analisadas por tecnologias mais caras e usadas rotineiramente. As análises foram autorizadas pelos doadores das amostras.

    “Os equipamentos usados nos países desenvolvidos para a classificação têm valor aproximado de US$ 280 mil na América do Sul. Os insumos usados na análise também têm preço elevado. Isso torna bastante oneroso identificar o subgrupo em que o tumor está inserido e, assim, selecionar o tratamento mais adequado”, disse Cruzeiro.

    Mudança de protocolo

    A pesquisa é parte do Projeto Temático “Interação entre alvos terapêuticos emergentes e vias de desenvolvimento associadas à tumorigênese: ênfase em neoplasias da criança e do adolescente”, coordenado por Luiz Gonzaga Tone, professor na FMRP-USP.

    “O projeto tem como objetivo obter novos conhecimentos sobre os mecanismos moleculares envolvidos na carcinogênese de alguns tumores pediátricos e as possíveis interações nas vias moleculares de desenvolvimento, procurando viabilizar melhores critérios de classificação e de abordagem do tratamento. No caso do meduloblastoma, vimos que o critério de classificação molecular é fundamental”, disse Tone, que coordena o Grupo de Pesquisa em Oncologia Molecular Pediátrica (GPOMP).

    O protocolo padrão para o tratamento do meduloblastoma, que pode afetar diferentes áreas do cerebelo, é normalmente composto por remoção cirúrgica do tumor, quimioterapia e radioterapia.

    Recentemente, porém, foram descritas quatro variedades do tumor, que requerem terapias com diferentes graus de agressividade. Dentre elas, há duas que respondem melhor ao tratamento.

    Entre os pacientes com tumores do subgrupo conhecido como WNT, a sobrevida pode ser de até 90% em cinco anos após o término do tratamento, um prognóstico considerado muito bom. Esse grupo, portanto, pode receber uma carga menor de radiação ou mesmo ser dispensado dessa terapia, que pode deixar sequelas como problemas no desenvolvimento, na cognição, de locomoção e de fala.

    A segunda variedade tumoral, conhecida como SHH, tem prognóstico intermediário, com uma parcela dos pacientes respondendo bem ao tratamento e outra nem tanto. O tratamento mais sugerido para esses casos é a chamada terapia-alvo, com inibidores específicos de uma proteína-chave. No entanto, os estudos existentes mostram que parte dos pacientes ainda não responde a esse tratamento em razão da diversidade na população de células desse tipo de tumor.

    As outras duas variedades são conhecidas como Grupo 3 e Grupo 4 e são as que mais apresentam metástase. Por esse motivo, exigem uma abordagem mais agressiva de tratamento. No entanto, a biologia desses subgrupos continua pouco conhecida.

    “No Brasil, não há a adoção dessa abordagem molecular usada na Suíça, Alemanha e Canadá, entre outros países. Nesses locais se faz a verificação do subgrupo do tumor e, então, opta-se por um tratamento de maior ou menor intensidade”, disse Cruzeiro, que atualmente faz estágio de pós-doutorado no Massachusetts General Hospital, da Harvard Medical School, nos Estados Unidos, com apoio da FAPESP.

    No Brasil, segundo Cruzeiro, os pacientes com meduloblastoma seguem basicamente o mesmo protocolo de tratamento, com ressecção, quimioterapia e radioterapia, com exceção de alguns casos, como crianças com menos de três anos.

    Com isso, um paciente do grupo WNT, por exemplo, que talvez não precisasse de radioterapia, acaba recebendo um tratamento que seria indicado para uma pessoa com risco de metástase. Mesmo eliminando o tumor, o tratamento pode afetar a qualidade de vida da criança para sempre.

    Cruzeiro alerta, porém, que nem sempre o qPCR possibilita um resultado preciso. Existe de 5% a 10% de chance de o método não classificar o tumor em nenhum grupo. Esses casos, porém, correspondem a uma minoria que precisa ser submetida aos métodos mais onerosos.

    “Em países da América Latina, da África e na Índia, esse método de baixo custo pode classificar satisfatoriamente a maior parte desses tumores e proporcionar informações importantes para a tomada de decisões clínicas”, disse.

    O artigo A simplified approach using Taqman low-density array for medulloblastoma subgrouping (doi: 10.1186/s40478-019-0681-y), de Gustavo Alencastro Veiga Cruzeiro, Karina Bezerra Salomão, Carlos Alberto Oliveira de Biagi Jr, Martin Baumgartner, Dominik Sturm, Régia Caroline Peixoto Lira, Taciani de Almeida Magalhães, Mirella Baroni Milan, Vanessa da Silva Silveira, Fabiano Pinto Saggioro, Ricardo Santos de Oliveira, Paulo Henrique dos Santos Klinger, Ana Luiza Seidinger, José Andrés Yunes, Rosane Gomes de Paula Queiroz, Sueli Mieko Oba-Shinjo, Carlos Alberto Scrideli, Suely Marie Kazue Nagahashi, Luiz Gonzaga Tone e Elvis Terci Valera, pode ser acessado em: www.actaneurocomms.biomedcentral.com/articles/10.1186/s40478-019-0681-y.

    – André Julião  |  Agência FAPESP

  • Mídias sociais são estratégicas para divulgação de pesquisas

    Canais no YouTube dedicados à educação científica e tecnológica já aglutinam no Brasil comunidades com milhares de participantes. Podcasts sobre temas de ciência e tecnologia são mídias em forte ascensão. E até perfis no Facebook e no Instagram, cujas arquiteturas parecem menos adequadas para esse tipo de atividade, têm sido utilizados com sucesso por educadores da área.

    Como coadjuvantes da educação formal, em sala de aula, as redes sociais podem ser fundamentais para a popularização do conhecimento científico no país. Foi o que concluíram os participantes do quarto episódio do programa Ciência Aberta de 2019, lançado nesta quarta-feira (12/06).

    Participaram dos debates Germana Fernandes Barata, professora no Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Atila Iamarino, biólogo e um dos fundadores da rede ScienceBlogs Brasil e do canalNerdologia, que tem mais de 2 milhões de seguidores no YouTube; e Altay Lino de Souza, pesquisador no Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e um dos criadores do podcast Naruhodo!.

    Para Iamarino, a ciência brasileira perde por ainda utilizar pouco as redes sociais. E a participação nelas deveria ser estimulada. “Nesses espaços, quem tem audiência é quem fala mais e melhor com o público, independentemente da reputação. O cientista, por sua vez, apesar da boa reputação, não tem incentivo para comunicar o que faz”.

    “Um profissional que consegue conduzir uma boa pesquisa e produzir um artigo científico com relevância, com dados bem coletados, tem de ser valorizado. Do mesmo jeito, deve-se valorizar quem quer divulgar”, disse Souza.

    Durante o episódio do Ciência Aberta, os três especialistas deram dicas de como pesquisadores podem melhorar sua comunicação nas redes sociais – por exemplo, usando analogias para explicar conceitos complexos. Isto, sem perder de vista a “precisão” que deve caracterizar o trabalho científico.

    Em pesquisa realizada durante estágio de pós-doutorado na Simon Fraser University, no Canadá, Germana Barata concluiu que o Instagram é a rede social mais amigável para mulheres e minorias naquele país, com bastante apelo para temas relacionados à saúde.

    “Está na hora de assumir que as redes sociais são absolutamente estratégicas hoje e que isso também deve fazer parte do nosso trabalho como pesquisadores. É preciso haver investimento para que possamos fazer de forma bem-feita”, disse Germana Barata.

    O episódio de Ciência Aberta teve a participação de alunos da Escola Estadual Manuel Ciridião Buarque, da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP) e de interessados que se inscreveram para participar do programa.

    Ciência Aberta é uma parceria da FAPESP com o jornal Folha de S. Paulo. O programa é apresentado por Alexandra Ozorio de Almeida, diretora de redação da revista Pesquisa FAPESP.

    O novo episódio pode ser visto em www.fapesp.br/ciencia-aberta, pela página da Agência FAPESP no Facebook e no YouTube e pelo site da TV Folha.

    – André Julião  |  Agência FAPESP