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Defesa de modelo negra presa em São Paulo por roubo de carro recorre da condenação

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Bárbara Querino foi presa em janeiro e foi condenada a 5 anos e 4 meses de prisão.

Ela foi acusada de ter roubado um carro em setembro do ano passado na região de Santo Amaro, zona sul de São Paulo.

Babiy, como é conhecida, é modelo e dançarina e apresentou provas de que nem mesmo estava na cidade no dia do assalto. Um dia antes, ela foi para o Guarujá, no litoral paulista, a trabalho.

A amiga de Babiy, Mayara Alves lista as provas.

Sonora: “As provas de defesa que nós temos são as fotos,são os vídeos, são as testemunhas que viajaram com ela desde o dia 9, saíram daqui de São Paulo e forma juntos daqui até o Guarujá, voltaram juntos, então são testemunhas fortes que dados em todos os percursos que eles traçaram desde são paulo até o Guarujá.”

Mas nem as fotos, nem depoimentos foram suficientes para convencer o juiz Klaus Arroyo, da 23ª Vara Criminal de São Paulo.

Para o juiz, o reconhecimento feito pelas vítimas do roubo foram mais determinantes.

Apesar de não se lembrarem do rosto da mulher que participou do crime, elas contaram que o cabelo e a altura coincidiam com os de Babiy.

Bárbara é negra e não se constrange em exibir a cabeleira vasta.

Para o advogado da modelo, Bruno Candido Sankofá, Bárbara é vítima de racismo institucional.

Sonora: “Essa setença ela é uma aberração, ela não se legitima, a não ser pela característica de desigualdade que tem no Brasil, pelo que a gente chama dentro do direito penal que ele é direito penal do negro, é o direito penal que ele opera com base em que é o acusado e não com base nos fatos que estão sendo imputados.”

Bruno também relata outras irregularidades, como a divulgação de fotografias e vídeos de Babiy como criminosa para programas de tv policialescos meses antes, quando ela foi conduzida até a delegacia para prestar depoimento.

O advogado já entrou com recurso contra a condenação, mas a jovem ainda responde a um segundo processo, também acusada de roubo de carro. Mas, a situação é ainda mais delicada.

Sonora: “A gente não tem como comprovar que ela tava em casa, embora, e isso precisa ser dito, há uma inversão ideológica das garantias fundamentais. Não é a defesa que tem que provar que ela não tava em um lugar. é a acusação que tem que provar que ela tava.”

Mayara, a amiga, criou uma página no Facebook para ajudar a divulgar o caso de Babiy. Ela também é negra e ver de perto o que aconteceu com a amiga, trouxe tristeza e apreensão.

Sonora: “Eu me sinto triste, ameaçada, porque eu sei que pode ser… foi ela mas pode ser eu, pode ser qualuqer pessoa negra. Porque eu não sei a tal ponto que chega forjarem algo pra mim ou pra qualquer outra pessoa.”

Em 2017, o mesmo juiz que condenou Barbara, inocentou um estudante de medicina da USP acusado de ter dopado e estuprado uma estudante de enfermagem. Segundo o juiz, havia inconsistências no depoimento da vítima.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a Polícia Civil investigou o caso e que provas foram anexadas ao inquérito. Informou também que não tem informação sobre vazamento de imagens da modelo e que eventuais irregularidades cometidas por policiais devem ser formalizadas junto às corregedorias das polícia Civil ou Militar.

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