Com 140 milhões de detritos prontos para causar um desastre, conheça a tecnologia brasileira capaz de desarmar essa bomba-relógio espacial antes que seja tarde.
Olhe para o céu em uma noite limpa. Tudo parece calmo e silencioso, certo? Mas essa serenidade é apenas uma ilusão. Logo acima de nós, a órbita da Terra está se transformando em uma zona de risco, congestionada por um volume assustador de lixo espacial e satélites.
Neste cenário de “trânsito caótico”, onde uma única batida pode gerar uma reação em cadeia catastrófica, uma inovação 100% brasileira está chamando a atenção do mundo. A startup Safe on Orbit desenvolveu uma ferramenta pioneira para atuar como um “guarda de trânsito” estelar.
Um campo minado invisível
Para entender o tamanho do problema, basta olhar os números reunidos pela ONU e pela Agência Espacial Europeia (ESA):
- 12,3 mil satélites artificiais estão em órbita hoje.
- 54 mil pedaços de lixo maiores que 10 cm (como restos de foguetes) viajam sem controle.
- 140 milhões de fragmentos menores formam uma nuvem de perigo invisível.
O grande problema não é apenas a quantidade, mas a velocidade. Esses objetos viajam a mais de 28 mil quilômetros por hora. Nessa velocidade, o impacto de um simples parafuso tem a força de uma explosão, capaz de destruir satélites de GPS, internet ou monitoramento climático. É o chamado “efeito cascata”: uma colisão cria milhares de novos detritos, que batem em outros objetos, multiplicando o risco.
A solução brasileira: o “Waze” do espaço
Hoje, não existe um órgão global que controle esse tráfego. Cada país cuida do seu, o que cria brechas perigosas na segurança. É aí que entra a tecnologia nacional.
A Safe on Orbit criou o sistema Cosmos. Ele funciona como um alerta avançado para quem opera satélites, com diferenciais que nenhuma outra empresa no mundo oferece hoje:
- Previsão: Avisa sobre riscos de colisão com até cinco dias de antecedência.
- Precisão: Teve 96% de acerto em testes simulados.
- Ação: O grande trunfo do sistema não é apenas avisar que “vai bater”, mas sugerir a manobra exata para desviar.
Segundo Guilherme Marcos Neves, sócio da startup, essa capacidade de sugerir a solução é inédita no mercado global.
Por que isso importa agora?
Estamos vivendo a era do “New Space”. Nunca foi tão barato lançar pequenos satélites (os chamados cubesats). Só em 2024, quase 3 mil novos satélites subiram ao espaço. Muitos são lançados por empresas ou universidades que não têm grandes equipes para calcular riscos de colisão.
Para a Agência Espacial Brasileira (AEB), essa inovação é estratégica. Rodrigo Leonardi, diretor da AEB, afirma que o sistema Cosmos pode trazer autonomia para o Brasil, nos colocando como protagonistas na segurança da infraestrutura espacial global.
O futuro da exploração espacial depende de manter a órbita limpa e segura. E a solução para esse desafio global pode ter sotaque brasileiro.
