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  • Vício em videogames afeta mais crianças de famílias desestruturadas

    Especialistas da Universidade Estatal de Psicologia e Pedagogia de Moscou (UEPPM) apresentaram os resultados de uma pesquisa dedicada ao estudo de jovens que gostam de videogames. Quem mais tempo gasta em jogos online são os adolescentes de famílias incompletas cuja estrutura de personalidade apresenta conflito de papéis.

    A pesquisa foi conduzida entre 103 jovens russos entre 14 e 25 anos, todos usuários ativos do videogame DotA 2 (Defence of the Ancients 2).

    Este jogo é especialmente popular entre os jovens, chegando a mais de 12,5 milhões de usuários no mundo inteiro. Ao analisar umas dezenas de milhares de partidas online, a equipe científica conseguiu elaborar o perfil psicológico do gamer contemporâneo.

    A popularidade crescente dos videogames faz crescer também o número de pesquisas que estudam como estes jogos afetam a personalidade. Os dados obtidos dessas pesquisas podem ser diametralmente opostos. Alguns cientistas fazem soar o alarme, indicando uma relação intrínseca entre o “vício” em videogames e problemas como a agressividade, ansiedade excessiva e falta de atenção.

    Outros cientistas, ao contrário, sublinham o potencial positivo dos jogos de computador, demonstrando que os jogadores mais ativos ultrapassam frequentemente os seus colegas que não jogam em matérias como a matemática e as ciências exatas.

    “Esta contradição não deve surpreender-nos, pois os pesquisadores atuais têm que lidar com fenômenos extremamente complexos”, diz a chefe do Centro de Pesquisas Interdisciplinares da Infância Contemporânea da UEPPM, Olga Rubtsova, que dirigiu a pesquisa.

    Ela acredita que tais fenômenos como a realidade virtual só podem ser estudados se representantes de diferentes áreas da ciência unam os seus esforços. A equipe da UEPPM corresponde ao princípio da interdisciplinaridade: dela fazem parte psicólogos, especialistas em ciências sociais e em tecnologias da informação.

    Os dados obtidos durante a pesquisa mostram que a maioria dos jogadores de DotA 2 são adolescentes e jovens adultos do sexo masculino. A maioria deles apresenta indicadores bastante altos de discrepância entre o “Eu real” e o “Eu ideal”.

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    Outro indicador estudado foi o tempo dedicado ao jogo. Quem mais tempo passa jogando DotA 2 são adolescentes de famílias incompletas cuja personalidade apresenta um conflito de papéis na sua estrutura. “O conflito de papéis é uma característica própria de quase todos os adolescentes. O seu desejo de se sentirem adultos é obstaculado pelas restrições impostas pelos pais, assim como também pelo meio social”, frisa Rubtsova.

    Segundo a opinião dela, os adolescentes entram no jogo e se tornam “os usuários mais ativos da realidade virtual” para aí “resolver as tarefas etárias que nós não permitimos que eles resolvam na vida normal”.

    “A realidade virtual atrai os jovens como uma espécie de campo de treinamento onde eles podem experimentar vários modelos de comportamento em diferentes papéis”, comenta a pesquisadora. “Porém, tem uma armadilha ali”, acrescenta.

    O modelo de realidade que o computador apresenta cria apenas uma ilusão de resolução de contradições. “Os mais vulneráveis são os adolescentes de famílias incompletas”, assegura Rubtsova.

    “Os adolescentes que são criados em famílias incompletas e que mais apresentam contradições de papéis, estão mais inclinados a se tornarem adictos aos videogames”, comenta a especialista aquilo que se tornou a conclusão principal da pesquisa.

    O resultado final será um programa de computador que ajudará a usar o comportamento no jogo como uma ferramenta para fazer o diagnóstico, definindo as características pessoais dos jogadores.

    Os dados obtidos são tão só a primeira etapa na série de pesquisas da UEPPM que visam estudar a interação da juventude contemporânea no espaço virtual. Simultaneamente, o Centro de Pesquisas Interdisciplinares da Infância Contemporânea da universidade está realizando um projeto dedicado ao papel que as redes sociais desempenham na vida dos adolescentes russos. Por Sputnik Brasil.

  • BNDES devolve pagamento de mais de R$ 30 bilhões ao Tesouro Nacional

    O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) devolve hoje (29) ao Tesouro Nacional mais R$ 30 bilhões, referentes à liquidação antecipada de empréstimo.

    Esse é o segundo pagamento deste ano. Em março, o banco fez outro pagamento de R$ 30 bilhões. Neste ano, o BNDES pretende devolver ao Tesouro o total de R$ 130 bilhões.

    De acordo com o órgão, com o novo pagamento de hoje, o BNDES já tem liquidados R$ 240 bilhões de dívidas com a União, desde dezembro de 2015. Somente neste ano,

    A liquidação de R$ 30 bilhões seguiu decisão aprovada pela diretoria do BNDES, no dia 13 de junho, e pelo Conselho de Administração do Banco, no último dia 19.

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    Entre 2008 e 2014, o BNDES recebeu da União empréstimos que totalizam cerca de R$ 532 bilhões. Em 2016, houve uma devolução superior a R$ 100 bilhões e, em 2017, de cerca de R$ 50 bilhões.

    Os pagamentos do BNDES contribuem para a redução da dívida pública e também para o cumprimento da regra de ouro, que impede o endividamento do governo para pagar despesas de custeio, como salários de servidores. Por Agência Brasil.

  • Mais de 10 aplicativos que roubam usuários são encontrados no Google Play

    Especialistas da empresa norte-americana de software de segurança McAfee encontraram mais de dez aplicativos infectados na loja oficial Google Play.

    Especialistas afirmaram que a criação de software malicioso envolveu hackers do grupo AsiaHitGroup. O vírus chamado Sonvpay.C utiliza notificações silenciosas. Portanto, o aplicativo, depois de instalado, envia aos usuários uma notificação sobre a atualização. No entanto, a inscrição para serviços pagos é disfarçada.

    Para que os donos de smartphones com sistema operacional Android não percebam o truque, os hackers usam o WAP billing, que não requer o envio de mensagens SMS. Isso permite retirar dinheiro diretamente da conta bancária dos usuários do celular e, ao mesmo tempo, eles não encontrarão nada no histórico de mensagens enviadas.

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    Segundo a McAfee, o principal alvo dos invasores foram cidadãos do Cazaquistão e da Malásia, mas os especialistas acreditam que os fraudadores planejam expandir a escala dos crimes cibernéticos. Desde janeiro de 2018 os criminosos podem ter se apropriado de US$ 60 mil (R$ 231 mil) a US$ 145 mil (R$ 560 mil). Por Sputnik Brasil.

  • Temer assina decreto que reserva 30% de vagas de estágio para negros

    O presidente Michel Temer disse hoje (28) que “a história é que vai registrar” o que aconteceu durante o período de seu governo no comando do país. Segundo Temer, ao assumir o cargo foram estabelecidos três conceitos fundamentais que são o diálogo, a responsabilidade fiscal e a responsabilidade social.

    A declaração foi feita no dia em que foi divulgada a pesquisa CNI-Ibope apontando que o percentual de confiança no governo Michel Temer recuou de março para junho, passando de 8% para 6%.

    Temer discursou no evento de assinatura do decreto que prevê a reservada de 30% das vagas em processos de seleção de estágio e na contratação de jovens aprendizes no serviço público para estudantes negros.

    Ao dizer que pediu aos dirigentes de empresas do governo federal que assinem o termo de compromisso da reserva de vagas, ele declarou: “A história é que vai registrar, que vai dizer o que aconteceu nesses dois anos, dois anos e meio de governo. Então, eu digo: as palavras voam, mas o escrito permanece. Por isso pedi a todos que assinassem esse documento”.

    Segundo ele, ao longo de sua atuação no comando do país, foi feito muito mais que em anos anteriores. Ele citou ações na área social como a manutenção do Bolsa Família e os reajustes no valor do benefício. “Aqui no Brasil quando você tem um programa chega um novo governo e a tentativa é de destruir o que o governo anterior fez. Nós, pautados pela modernidade política, fizemos o contrário, os programas que são bons, continuamos”, disse.

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    Temer também mencionou o esforço para manter a responsabilidade fiscal com medidas como as reformas propostas pelo governo. Durante sua gestão foi aprovada a reforma trabalhista e proposta a reforma da Previdência, por exemplo.

    Pelo decreto assinado hoje por Temer, em cerimônia no Palácio do Planalto, a reserva de 30% das vagas para jovens negros em estágios e programas de aprendizado será aplicada na administração pública, autarquias, fundações públicas e sociedades de economia mista controladas pela União. Por Agência Brasil.

  • MEC terá novo sistema de exames e passará a avaliar creche em 2019

    A educação infantil será avaliada pela primeira vez no ano que vem pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Atualmente, as avaliações nacionais são aplicadas apenas a partir do ensino fundamental. Ao contrário das outras etapas, as crianças das creches e pré-escolas não terão que fazer nenhuma prova. A avaliação será por meio de questionários aplicados a professores, dirigentes e equipe escolar.

    Serão avaliadas por exemplo questões de infraestrutura e formação dos professores. As escolas serão bem ou mal avaliadas se ofertarem as condições necessárias para o desenvolvimento das crianças. Entram no cálculo, entre outras questões, a oferta de brinquedos. O anúncio foi feito hoje (28), pelo ministro da Educação, Rossieli Soares.

    “Aumentamos o acesso e não conseguimos olhar para os fatores de qualidade de qual educação está sendo entregue nas creches e na educação infantil”, diz. O Brasil tem hoje segundo o Inep, cerca de 32% das crianças de até 3 anos matriculadas em creches e 91,5% das crianças de 4 e 5 anos matriculadas em pré-escolas.

    O ministro diz que a intenção é que os pais e responsáveis das crianças também possam fazer parte da avaliação. A expectativa é que isso ocorra a partir de 2021.

    Além da avaliação da educação infantil, o Inep vai reformular o sistema de avaliação de toda a educação básica. Os diversos nomes das provas: Prova Brasil, Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), entre outras, deixarão de existir e todas as avaliações são identificadas como etapas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Ao todo, o sistema terá seis etapas de avaliação: creche, pré-escola, 2º ano do ensino fundamental, 5º ano do ensino fundamental, 9º ano do ensino fundamental e 3º ano do ensino médio.

    Todas as avaliações, incluindo a da educação infantil serão feitas de dois em dois anos, sempre nos anos ímpares. Os resultados serão divulgados nos anos pares. As mudanças passam a valer em 2019.

    Alfabetização antecipada

    A ANA, aplicada no 3º ano do ensino fundamental deixará de existir. Agora os estudantes serão avaliados no 2º ano, geralmente com 7 anos, sobre o que aprenderam em língua portuguesa e matemática. A primeira prova será no ano que vem. A mudança ocorre para adequar a avaliação à Base Nacional Comum Curricular do ensino infantil e fundamental (BNCC), homologada pelo MEC no final do ano passado. A Base estabelece os conteúdos mínimos que deverão ser ensinados em todas as escolas do país.

    Pela Base, as crianças, em todo o país, deverão ter acesso desde cedo a conteúdos de português e matemática. Até o 2º ano do ensino fundamental, os estudantes deverão ser capazes de ler e escrever. Além disso, aprenderão conteúdos de estatística e probabilidade.

    “A BNCC puxou a alfabetização para o 2º ano e, agora com a avaliação desse ano teremos indicadores”, diz o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Alessio Costa Lima. Os municípios são os principais responsáveis pela oferta de educação infantil e fundamental. Lima também elogiou a inclusão da educação infantil no sistema de avaliações e disse que essa é uma demanda antiga dos dirigentes e que vem sendo discutida há anos.

    Com o anúncio da mudança, ANA não será aplicada este ano.

    Ciências passarão a ser avaliadas

    As avaliações do 5º e do 9º ano, antiga Prova Brasil, continuarão sendo aplicadas. Elas avaliarão as habilidades dos estudantes em língua portuguesa e matemática. Haverá, no entanto, uma novidade: a prova do 9º ano passará a avaliar a partir de 2019 ciências da natureza e ciências humanas.

    A mudança aproxima a avaliação brasileira de avaliações internacionais como o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), aplicado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aos estudantes de 15 anos de diversos países. Em 2015, na última avaliação, o Brasil ficou em 63ª posição em ciências, em um ranking com 70 países ou regiões.

    Apesar de serem avaliadas em ciências, a competência não entrará no cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) pelo menos até a avaliação de 2021, quando termina a série histórica do índice. O Ideb é considerado um importante indicador de qualidade do ensino. O índice vai até dez e é calculado de dois em dois anos para português e matemática do 5º e do 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio.

    Segundo o ministro, a intenção é que ciências passe a valer também para indicar a qualidade das escolas a partir de 2023.

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    Ensino Médio

    Os estudantes do 3º ano do ensino médio serão avaliados no ano que vem em língua portuguesa e matemática. Os estudantes do ensino médio eram avaliados de forma amostral. A partir de 2017, a prova passou a ser censitária, aplicada em todas as escolas públicas. A avaliação seguirá com esse formato.

    Com a aprovação da BNCC para o ensino médio, atualmente em discussão no Conselho Nacional de Educação (CNE), a intenção é que esses estudantes passem, no futuro, a ser avaliados também em ciências humanas e da natureza.

    Inclusão de escolas privadas

    As avaliações não serão obrigatórias para as escolas particulares, mas aquelas que quiserem poderão aderir ao sistema. “Nós estamos discutindo avançar a necessidade da avaliação em todas as escolas privadas. É uma agenda que o MEC vai discutir com a sociedade nos próximos dias para que a gente coloque sempre um olhar de qualidade para a educação pública e também para as escolas privadas”, diz o ministro da Educação.

    Aplicação eletrônica

    A partir do ano que vem, os questionários aplicados a professores, dirigentes e diretores escolares, com exceção dos aplicados aos estudantes, serão eletrônicos. O Inep testará de forma piloto a aplicação eletrônica da própria avaliação aos estudantes. A versão digital será testada em algumas escolas. Os estudantes farão a prova regular e, além disso, a versão eletrônica, apenas para teste. Por Agência Brasil.

  • Pessoas trans ainda convivem com alto grau de invisibilidade social

    Somente depois de assistir a um seriado americano, já aos 17 anos, o jornalista Patrick Lima entendeu que o desconforto que ele sentia com seu corpo desde a infância era devido a sua condição de pessoa transgênero.

    O que faltava para aquele menino, ainda visto como menina, eram referências de outros homens trans que pudessem ajudá-lo a entender a si próprio.

    Não que essas pessoas não existissem, mas até hoje a invisibilidade dos homens trans na sociedade é grande.

    No entanto, depois que as portas foram abertas por figuras como João Nery, uma geração jovem tenta mudar isso, especialmente neste 28 de junho, Dia do Orgulho LGBT.

    Para o professor de educação física Leonardo Peçanha, a visibilidade é necessária para que as necessidades dessa população também sejam reconhecidas.

    As mais urgentes estão na área da saúde, já que o principal serviço de atendimento a pessoas trans do Rio de Janeiro não recebe novos pacientes há alguns anos.

    De acordo com Leonardo, a falta de acolhimento impede as pessoas trans de passarem pelos processos de adequação corporal de forma segura, além de afastá-las dos serviços de saúde, em geral.

    Com a suspensão de novos atendimentos no Hospital Universitário Pedro Ernesto, o único serviço público disponível no Rio é o Instituto de Endocrinologia e Diabetes, que oferece hormonização para pessoas trans mas não faz nenhuma cirurgia de adequação de gênero.

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    De acordo com a defensora pública Letícia Furtado, as ações na Justiça para a realização dessas cirurgias encontram ainda mais entraves no caso dos homens trans.

    Uma alteração importante ocorrida há poucos dias e que trouxe esperança foi a retirada da transexualidade do rol de transtornos mentais, na Classificação Internacional de Doenças.

    O pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fiocruz, Luiz montenegro reconhece que este é apenas um primeiro passo, mas que pode levar a mudança de postura no futuro.

    Outra importante conquista obtida este ano foi a autorização dada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para que pessoas trans retifiquem seus documentos diretamente no cartório, sem a necessidade de uma ação judicial.

    Se isso tivesse ocorrido antes, Patrick não teria aguardado mais de três anos para obter sua nova identidade, colecionando constrangimentos e oportunidades de trabalho perdidas por causa da transfobia.

    Mas para que o serviço seja realmente acessível, os estados precisam padrozinar o procedimento em seus território uma vez que, por enquanto, na maioria deles a decisão de fazer ou não e quanto cobrar ainda está a cargo de cada titular. Por Radioagência Nacional.

  • Homem bêbado cai de roda-gigante ao tentar tirar selfie

    A gravação mostra o momento exato em que um homem em estado de embriaguez cai de uma roda-gigante enquanto tentava tirar selfie.

    O incidente aconteceu na quarta-feira (27) na cidade russa de Irkutsk, na Sibéria.

    A vítima, junto com dois amigos, subiu ilegalmente à atração de 50 metros de altitude. Quando ele estava tentando tirar uma selfie nas alturas, perdeu o equilíbrio e caiu, batendo em várias vigas.

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    Atualmente, o homem se encontra no hospital em estado crítico. Por Sputnik Brasil.

  • Homens transexuais buscam visibilidade para novas gerações

    Ainda pequeno, quando fazia catequese, Patrick Lima repetia secretamente uma oração antes de dormir: pedia para acordar no corpo de um menino. Naquela época, seus pais, professores e toda a sociedade ainda o chamavam pelo nome feminino com que foi batizado. Com o passar dos anos, na adolescência, ele teve acesso a ícones transexuais como Roberta Close e Rogéria, mas todas eram mulheres. Existir como homem trans, lembra ele, estava fora das possibilidades a que tinha acesso.

    “Me descobri com 17 anos. Eu sabia que existia a mulher trans, mas eu nunca tinha visto em lugar nenhum um homem trans”, conta ele, hoje com 27 anos. A descoberta veio com um personagem trans no seriado norte-americano The L Word. “Quando vi, eu pensei: ‘Eu também sou’”.

    Com uma luta política historicamente menos evidente que de outros grupos que celebram hoje (28) o Dia do Orgulho LGBT, os homens transexuais vivem um “boom” atualmente, acredita Patrick. Ele cita canais no YouTube, personagens em novelas e o reconhecimento de figuras históricas como João Nery, transhomem considerado pioneiro no Brasil.

    “A gente tem um movimento de travestis e transexuais que tem 40, 50 anos. E a gente está no boom agora”, diz ele, que ainda vê pouca mobilização política para enfrentar a invisibilidade. “Politicamente, a gente tem um caminho muito grande a seguir.”

    Morador de Vista Alegre, na zona norte do Rio de Janeiro, Patrick é operador de câmbio, mas se formou em jornalismo. A própria escolha da graduação foi um plano B, porque seu sonho era seguir a educação física para continuar no mundo da natação. Ele conta que praticou o esporte dos 3 aos 18 anos, mas a consciência de sua identidade de gênero foi tornando o maiô cada vez mais desconfortável. “Vi que não ia aguentar.”

    O meio jornalístico, porém, não facilitou em nada. Se na faculdade as chamadas e provas ainda exigiam o nome feminino, na busca por estágios, os documentos ainda inadequados ao seu gênero e o preconceito sabotavam suas oportunidades. “Já ouvi: ‘tudo bem, você é qualificado, mas em que banheiro a gente vai colocar você?’ A gente nunca é avaliado pelo potencial. Sempre pensam onde vão nos colocar para não ter nenhum tipo de problema”, conta ele, que viu as portas se fecharem por não ter conseguido experiência durante a faculdade. “Meu primeiro trabalho, com o diploma debaixo do braço, foi lavar copo.”

    Se para quem está iniciando a preparação para uma carreira o caminho é difícil, para quem já está estabelecido a discriminação também traz riscos. Leonardo Peçanha, de 36 anos, é ativista, especialista em gênero e professor de educação física. Ele conta que o impacto da transfobia pode fazer a pessoa trans perder não somente o emprego, mas a carreira.

    “Quando as pessoas trans que já tinham uma trajetória profissional perdem emprego, não é só no sentido de mandar embora. Elas perdem toda a carreira, porque todo mundo fica sabendo. Isso se espalha pelo meio profissional da pessoa, e ela fica desamparada.”

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    Um exemplo disso é a história de vida do próprio João Nery. Depois que ele se submeteu às cirurgias de redesignação sexual, ainda na década de 1970, seu diploma de psicólogo foi cassado, e ele perdeu sua forma de subsistência.

    Para Leonardo, a família pode fazer a diferença quando o mundo vira as costas para os homens trans. “Quando a família acolhe, é completamente diferente a vida da pessoa trans, porque ela não fica sozinha. As coisas se tornam menos difíceis, porque, quando acontecer algum caso de transfobia, você vai ter quem te acolher”, diz.

    Acesso à saúde

    Entre os obstáculos que os homens trans encontram em seu percurso, o acesso à saúde continua a ser um dos mais dramáticos. A necessidade de frequentar um ginecologista, a menor qualificação dos médicos para os procedimentos cirúrgicos e o acesso à terapia hormonal com acompanhamento profissional podem se tornar barreiras até quando se dispõe de um plano de saúde. Patrick lembra que a família o ajudou a pagar um plano na época em que nenhuma empresa o contratava.

    “A partir do plano, foi uma saga para conseguir um médico, porque a maioria diz ‘eu não entendo’, ‘eu não faço’, ‘não concordo’, ‘minha religião não permite’. Ainda tem isso, você está pagando e ainda tem que ouvir uma coisa dessas.”

    Leonardo concorda e conta que muitas vezes os endocrinologistas se recusam mesmo sabendo que os hormônios são semelhantes aos usados em tratamentos comuns de reposição hormonal. Na sala de espera do ginecologista, os constrangimentos são muitos e as consultas, muitas vezes, terminam em negativas de atendimento. “A saúde ainda é binária e está marcada pelas questões de gênero.”

    Integrante do do Núcleo de Defesa dos Direitos Homoafetivos e Diversidade Sexual (Nudiversis-RJ) da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, a defensora pública Letícia Furtado conta que as demandas de homens trans que chegam até o órgão estão ligadas principalmente a serviços de saúde. As dificuldades são ainda maiores que as encontradas pelas mulheres trans, conta a defensora, que exemplifica que a transgenitalização (correção do órgão genital), no caso deles, ainda é considerada um procedimento cirúrgico experimental por muitos profissionais. Para as cirurgias complementares, como a mastectomia, os obstáculos partem de planos de saúde ou unidades públicas que consideram o procedimento estético.

    “Para um homem trans, [a mastectomia] muitas vezes é fundamental e muitos relatam que é o que faz a grande diferença na vida deles, que é o momento que mexe com a masculinidade deles. Mas, como ainda consideram apenas uma cirurgia plástica, esse é um enfrentamento que estamos fazendo.”

    Para o pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/Fiocruz), Luiz Montenegro, a decisão recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) de retirar a transexualidade da lista de doenças mentais e incluí-la como incongruência de gênero nas questões de saúde sexual pode colaborar com um cenário de serviços mais acessíveis e profissionais mais sensíveis.

    “Havia uma patologização do que é uma condição humana, e que não tem nada a ver com doença”, argumenta. “A gente espera que os profissionais de saúde se sensibilizem. É necessário ter mais ambulatórios para pessoas trans ou que tenhamos profissionais de saúde engajados no cuidado das pessoas da maneira mais ampla possível?”, questiona. Por Agência Brasil.

  • STJ envia mais dois processos contra Pimentel à 1ª instância

    O ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), enviou mais duas investigações contra o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel. Dessa vez, os casos foram remetidos à Justiça Eleitoral mineira.

    Na semana passada, Benjamin já havia enviado à primeira instância da Justiça Federal duas investigações contra Pimentel, originadas na Operação Acrônimo, que investiga desvios de recursos quando o governador era ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, entre 2011 e 2014.

    Nos casos enviados agora à Justiça Eleitoral, Pimentel é suspeito de contratar irregularmente uma gráfica durante sua campanha ao governo, em 2014.

    As decisões de baixar os processos de instância foram tomadas após a Corte Especial do STJ ter aprovado a restrição do foro privilegiado de governadores e conselheiros de tribunais de contas, na semana passada. Na ocasião ficou decidido que somente devem permanecer no tribunal os processos sobre supostos crimes cometidos durante e em razão do cargo.

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    – Datena confirma candidatura ao Senado

    Pimentel é alvo de mais três inquéritos no STJ, dois deles em segredo de Justiça. Esses casos ainda permanecem no tribunal.

    Até o STJ decidir por restringir o foro de governadores, havia no STJ 64 processos contra mandatários estaduais. Desses, 22 eram ações penais, quando já há denúncia aceita pela Justiça e o suspeito passou à condição de réu. Da Agência Brasil.

  • Temer comemora vitória do Brasil contra Sérvia

    Logo após a vitória da seleção brasileira contra a Sérvia, no terceiro jogo do Grupo E na Copa do Mundo, o presidente Michel Temer comemorou o resultado em postagem no Twitter. Temer acompanhou a partida no Palácio do Planalto, acompanhado dos ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e dos Direitos Humanos, Gustavo Rocha. A seleção ganhou por 2 a 0.

    “Valeu, seleção! Que venha o México!”, diz a mensagem no Twitter pessoal de Temer, com uma foto do presidente e dos ministros comemorando em frente a televisão.

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    A conta Governo do Brasil no Twitter, que divulga ações e resultados do governo federal, publicou mensagem de incentivo antes da partida. “É hora de unir aqueles que têm no sangue a mesma paixão. Aqueles que carregam a mesma bandeira. Aqueles que são diferentes, mas estão juntos porque são brasileiros. O brasileiro ama futebol e o futebol une a gente”, registra o texto. Da Agência Brasil.