Tag: Censura

  • Como a ditadura militar escondeu a epidemia de meningite nos anos 1970

    Como a ditadura militar escondeu a epidemia de meningite nos anos 1970

    A meningite é uma doença grave que causa inflamação nas membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Ela pode ser causada por vírus, bactérias ou fungos, e pode levar à morte ou a sequelas neurológicas.

    Entre 1971 e 1974, o Brasil enfrentou uma epidemia de meningite bacteriana do tipo C, que atingiu principalmente a cidade de São Paulo, mas se espalhou por outras regiões do país.

    Segundo dados do livro “O livro da Meningite: uma doença sob a luz da cidade”, de José Cássio Moraes e Rita Barradas Barata, a epidemia teve uma média de 1,15 mortos por dia, com um pico de 14% em 1972. A doença afetou principalmente crianças e jovens de baixa renda, que viviam em condições precárias de moradia e saneamento.

    No entanto, o governo militar da época, liderado pelo general Emílio Garrastazu Médici, tentou ocultar a gravidade da situação e impedir que a imprensa divulgasse os números e os fatos sobre a doença. O regime temia que a crise sanitária abalasse a imagem do “milagre econômico” e da “ordem e progresso” que propagava.

    Para isso, o governo usou de censura, desinformação e repressão. Os jornais foram proibidos de publicar reportagens sobre a epidemia, os médicos foram orientados a não diagnosticar casos de meningite e os hospitais foram impedidos de divulgar os óbitos pela doença. Além disso, o governo demorou a tomar medidas efetivas de prevenção e controle da doença, como vacinação em massa, diagnóstico precoce e tratamento adequado.

    A epidemia só começou a ser enfrentada com mais seriedade em 1974, quando o general Ernesto Geisel assumiu a presidência e iniciou um processo de abertura política gradual. A partir daí, o governo passou a reconhecer a existência da doença e a importar vacinas dos Estados Unidos para imunizar a população. Ainda assim, muitas vidas foram perdidas ou comprometidas pela doença e pela negligência do governo militar.

    Fontes:

    Entre 1971 e 1974, o Brasil enfrentou uma epidemia de meningite bacteriana do tipo C, que atingiu principalmente a cidade de São Paulo, mas se espalhou por outras regiões do país.

    Segundo dados do livro “O livro da Meningite: uma doença sob a luz da cidade”, de José Cássio Moraes e Rita Barradas Barata, a epidemia teve uma média de 1,15 mortos por dia, com um pico de 14% em 1972. A doença afetou principalmente crianças e jovens de baixa renda, que viviam em condições precárias de moradia e saneamento.

    No entanto, o governo militar da época, liderado pelo general Emílio Garrastazu Médici, tentou ocultar a gravidade da situação e impedir que a imprensa divulgasse os números e os fatos sobre a doença. O regime temia que a crise sanitária abalasse a imagem do “milagre econômico” e da “ordem e progresso” que propagava.

    Para isso, o governo usou de censura, desinformação e repressão. Os jornais foram proibidos de publicar reportagens sobre a epidemia, os médicos foram orientados a não diagnosticar casos de meningite e os hospitais foram impedidos de divulgar os óbitos pela doença. Além disso, o governo demorou a tomar medidas efetivas de prevenção e controle da doença, como vacinação em massa, diagnóstico precoce e tratamento adequado.

    A epidemia só começou a ser enfrentada com mais seriedade em 1974, quando o general Ernesto Geisel assumiu a presidência e iniciou um processo de abertura política gradual. A partir daí, o governo passou a reconhecer a existência da doença e a importar vacinas dos Estados Unidos para imunizar a população. Ainda assim, muitas vidas foram perdidas ou comprometidas pela doença e pela negligência do governo militar.

    Fontes:

  • Fake news podem influenciar eleição, alerta professor

    A difusão de fake news pode influenciar nas eleições de 2018. A afirmação é do coordenador do Monitor do Debate Público no Meio Digital da Universidade de São Paulo (USP), Pablo Ortellado. Ele foi um dos palestrantes do painel Fake News: como enfrentar o tsunami, promovido na tarde desta quinta-feira (24), dentro do seminário O Legislativo e as Mídias Sociais.

    Ortellado definiu a notícia falsa como uma simulação jornalística, com texto jornalístico, com aparência de jornalismo, mas sem os critérios da apuração jornalística. Ele disse que uma fake news é diferente de um boato, que não tem aspecto jornalístico e é espalhado com base em testemunhos.

    Segundo Ortellado, as notícias falsas normalmente não aparecem em grandes sites nem são reproduzidas em jornais tradicionais. Ele apontou que o recorrente é que a notícia falsa seja publicada em “sites hiperpartidarizados” e divulgada por pessoas altamente engajadas na divulgação de informações nas redes sociais, comumente ligadas à polarização política. Ortellado acrescentou que os sites de notícias falsas também usam várias notícias verdadeiras, recortadas conforme seu interesse ideológico, para dar uma espécie de legitimidade ao site.

    — O Brasil corre o risco de votar com base em informações altamente viciadas. A sociedade precisa olhar criticamente para aquilo que acredita. Quando estamos muito apaixonados por um assunto, fica difícil ter critério — alertou.

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    Ortellado ressaltou que a difusão de fake news e a polarização política são fenômenos que não se limitam ao Brasil, mas ocorrem em todo o mundo. Ele apontou, no entanto, que é preciso aprender a conviver com o outro e a tolerar o pensamento diferente. Segundo o pesquisador, um dos caminhos apontados para enfrentar as notícias falsas é criminalizar e censurar essa divulgação. Ortellado disse, porém, que não é um grande entusiasta dessa medida. Ele defendeu uma maior conscientização do cidadão, com mais critérios de confirmação, e atribuiu às agências de checagem de fatos um papel pedagógico na pesquisa de notícias falsas.

    Regulação

    Para Sivaldo Pereira, professor da UnB e especialista em comunicação política e regulação da comunicação digital, a regulação dos meios em comunicação existe em vários países do mundo e é importante para garantir direitos. Ele fez questão de destacar que a regulação não quer dizer censura e defendeu que o debate regulatório alcance todos os tipos de mídia e não apenas a internet. Sivaldo acrescentou que, para combater a desinformação, é preciso que o cidadão tenha educação e informação de qualidade.

    — As pessoas precisam ter vergonha de compartilhar notícia falsa. Quando isso ocorrer, não haverá mais fake news — afirmou o professor.

    A pesquisadora Laura Tresca, da ONG Artigo19, apontou que as notícias falsas podem trazer grandes prejuízos para a população. Ela citou como exemplo as fake news que envolvem questões de saúde. Para Laura, a regulamentação não deve responsabilizar os intermediários, mas sim o autor da notícia falsa.

    O secretário-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Eduardo Frazão, lembrou que o tribunal criou um conselho para lidar com fake news, mas reconheceu que a questão é bastante complexa. Para Frazão, o controle sobre notícias falsas deveria ser feito fora do Estado, pela sociedade civil.

    — O TSE não pode dar um selo para o que é verdade e o que não é. Temos que olhar para a sociedade e a sociedade é o local por excelência onde esse controle deve acontecer. Precisamos ter educação e consciência digital — declarou.

    O seminário

    O seminário O Legislativo e as Mídias Sociais é promovido pelo Senado com o objetivo de contribuir para a consciência ética e para a reflexão sobre a importância das mídias sociais, e para a atualização do Parlamento frente às novas demandas de divulgação do trabalho legislativo. O evento começou na manhã desta quinta-feira e vai até a manhã de sexta-feira (25). Com informações da Agência Senado.

  • Profissionais da imprensa condenam violência contra jornalistas e radialistas

    Nos últimos 12 anos, 38 jornalistas foram assassinados no Brasil por cumprir a sua tarefa de informar ao público de acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), mas apenas 10 desses crimes foram solucionados. Em audiência sobre violência contra jornalistas, promovida nesta segunda-feira (7) pelo Conselho de Comunicação Social (CCS), profissionais da área lamentaram os números elevados de casos de intimidação, censura e violência física contra comunicadores e condenaram a impunidade.

    Adauto Soares, coordenador de Comunicação e Informação da Representação da Unesco no Brasil, observou que há 25 anos a Assembleia Geral da ONU proclamou 3 de maio como Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, em uma tentativa de conscientizar o mundo para a luta a favor do direito de informar. Jornalistas continuam, no entanto, sendo mortos por investigar, denunciar e contar histórias, acrescentou.

    — Os assassinatos de jornalistas acontecem em todos os estados. Tanto nas periferias, quanto nas grandes cidades, no Nordeste, no Norte, nas regiões de fronteira – apontou.

    No Brasil, um profissional foi assassinado no ano passado. Foram registrados 82 casos de violência não letal em 2017, queda de 52% em relação ao ano anterior, conforme dados sintetizados pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) com base em informações da Unesco e da ONG Repórteres sem Fronteiras. Embora os dados indiquem uma redução nos casos de violência, o problema está longe de uma solução segundo Paulo Tonet Camargo, presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert).

    — Não é alentador porque enquanto houver violência contra um jornalista que for não podemos tolerar. É um ataque à liberdade de imprensa – disse.

    Para Ana Dubeux, diretora de Redação do Correio Braziliense, a intolerância e a falta de compreensão sobre o papel do jornalista são algumas das razões que explicariam os ataques aos profissionais de comunicação.

    — Nossa principal missão é informar e não agradar. E muitas pessoas querem ser agradadas. Essa não é nossa função. Não é para isso que a gente trabalha. Sem liberdade de imprensa, a democracia não existe – disse.

    A presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Maria José Braga, afirmou que até 2013 os profissionais de imprensa eram perseguidos principalmente por políticos, incomodados com notícias desfavoráveis a eles, mas desde então, com o boom de manifestações e protestos, cresceram os casos de agressões feitas por policiais e manifestantes. Ela também denunciou o descaso das empresas de comunicação com a segurança dos profissionais e criticou a impunidade:

    — A impunidade é o combustível da violência – criticou.

    Os ataques contra a imprensa têm tornado mais difícil o trabalho dos profissionais de comunicação, conforme apontou Gulíver Leão, presidente da Federação Nacional das Empresas de Rádio e Televisão (Fenaert).

    — Os profissionais estão sendo proibidos até de se aproximar de manifestações. A imprensa é apenas a mensageira, noticia fatos, mas o que vemos é a imprensa sendo colocada como vilã – disse.

    Durante o seminário, o presidente do Conselho de Comunicação Social, Murillo de Aragão, afirmou que o colegiado vai trabalhar para buscar soluções para o problema. Com informações da Agência Senado.