Autor: Redação

  • Gilmar Mendes arquiva inquérito sobre Aécio Neves no caso de Furnas

    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes arquivou hoje (29) o inquérito que trata das investigações sobre senador Aécio Neves (PSDB-MG) no caso de Furnas.

    Na decisão, o ministro levou em conta um relatório da Polícia Federal (PF) que concluiu pela falta de provas da participação do parlamentar em um suposto esquema de corrupção na estatal do setor elétrico, subsidiária da Eletrobras.

    De acordo com o delegado responsável pelo caso, após a tomada de depoimentos de políticos de oposição e delatores foi possível concluir que “inexistem elementos que apontem para o envolvimento” do senador.

    “A partir do conteúdo das oitivas realizadas e nas demais provas carreadas para os autos, cumpre dizer que não é possível atestar que Aécio Neves da Cunha realizou as condutas criminosas que Ihe são imputadas”, diz relatório da PF.

    A investigação foi aberta em 2016 a pedido do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para apurar o suposto cometimento dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

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    Defesa

    Em nota à imprensa, o advogado Alberto Toron, representante de Aécio, afirmou que a decisão Gilmar Mendes confirmou que “nenhuma ilegalidade” foi encontrada contra o senador.

    “A decisão do STF confirmou a conclusão que já havia sido alcançada pela Polícia Federal há mais de 10 meses, no sentido de que, passados mais de dois anos de investigação e realização de inúmeras diligências, nenhuma ilegalidade envolvendo o senador Aécio Neves foi encontrada”, disse a defesa. Por Agência Brasil.

  • STF adia para o segundo semestre julgamento de liberdade de Lula

    A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, não pautou para esta sexta-feira (29) novo pedido de liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O pedido foi liberado na noite desta quinta-feira (28) para julgamento em plenário pelo relator ministro Edson Fachin.

    A sessão desta sexta foi a última antes dos ministros do STF tirarem o recesso forense. Eles só voltarão a se reunir em plenário em 8 de agosto. Durante a sessão, Cármen Lúcia disse que não pautaria o pedido de Lula por orientação de Fachin.

    De acordo com Fachin, o pedido não poderia ser julgado pois na noite de ontem (28) a defesa de Lula apresentou um novo recurso, na forma de embargos de declaração, contra uma decisão sua, o que, segundo o ministro, impede o julgamento do pedido de liberdade.

    Durante a sessão, Fachin disse que os embargos precisam ser “julgados antes de qualquer ato processual”, motivo pelo qual o pedido de soltura em si não poderia ser analisado nesta sexta-feira pelo plenário.

    “Quando for o caso será liberado para o plenário e será trazido imediatamente”, afirmou Cármen Lúcia.

    Reclamação

    Em outra reclamação, relatada pelo ministro Alexandre de Moraes, em que questiona a decisão de Fachin de enviar o pedido de liberdade ao plenário, e não à Segunda Turma, como queriam os advogados, também é pedida uma liminar (decisão provisória) para que o ex-presidente seja solto.

    Questionado na saída da sessão se decidirá ainda nesta sexta-feira sobre a reclamação, Moraes respondeu que sim.

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    Inelegibilidade

    Nos embargos protocolados na noite de ontem (29), a defesa quer que não seja julgada a questão da inelegibilidade de Lula, e somente sua eventual soltura, no pedido que foi enviado por Fachin ao plenário.

    Ao justificar o envio ao plenário, em decisão de sexta-feira (22), Fachin disse que a questão deve ser tratada pela Corte por passar pela análise do trecho da Lei da Ficha Limpa que prevê a suspensão da inelegibilidade “sempre que existir plausibilidade da pretensão recursal”.

    Segundo a defesa de Lula, a análise da inelegibilidade não foi solicitada, e pede a Fachin que reverta sua justificativa.

    “O embargante requereu exclusivamente a suspensão dos efeitos dos acórdãos proferidos pelo Tribunal de Apelação para restabelecer sua liberdade plena. A petição inicial, nesse sentido, é de hialina [límpida] clareza ao requerer o efeito suspensivo para impedir a “execução provisória da pena até o julgamento final do caso pelo Supremo Tribunal Federal”, sustentou a defesa.

    Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá (SP) e teve a pena executada pelo juiz federal Sergio Moro após o fim dos recursos na segunda instância da Justiça, conforme definiu o STF.

    Com a confirmação da condenação na Operação Lava Jato, o ex-presidente foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa, que impede a candidatura de condenados pelos órgãos colegiados da Justiça. No entanto, Lula ainda pode ser beneficiado por uma liminar e disputar as eleições. Ele tem até 15 de agosto para se registrar como candidato. Por Agência Brasil.

  • Vício em videogames afeta mais crianças de famílias desestruturadas

    Especialistas da Universidade Estatal de Psicologia e Pedagogia de Moscou (UEPPM) apresentaram os resultados de uma pesquisa dedicada ao estudo de jovens que gostam de videogames. Quem mais tempo gasta em jogos online são os adolescentes de famílias incompletas cuja estrutura de personalidade apresenta conflito de papéis.

    A pesquisa foi conduzida entre 103 jovens russos entre 14 e 25 anos, todos usuários ativos do videogame DotA 2 (Defence of the Ancients 2).

    Este jogo é especialmente popular entre os jovens, chegando a mais de 12,5 milhões de usuários no mundo inteiro. Ao analisar umas dezenas de milhares de partidas online, a equipe científica conseguiu elaborar o perfil psicológico do gamer contemporâneo.

    A popularidade crescente dos videogames faz crescer também o número de pesquisas que estudam como estes jogos afetam a personalidade. Os dados obtidos dessas pesquisas podem ser diametralmente opostos. Alguns cientistas fazem soar o alarme, indicando uma relação intrínseca entre o “vício” em videogames e problemas como a agressividade, ansiedade excessiva e falta de atenção.

    Outros cientistas, ao contrário, sublinham o potencial positivo dos jogos de computador, demonstrando que os jogadores mais ativos ultrapassam frequentemente os seus colegas que não jogam em matérias como a matemática e as ciências exatas.

    “Esta contradição não deve surpreender-nos, pois os pesquisadores atuais têm que lidar com fenômenos extremamente complexos”, diz a chefe do Centro de Pesquisas Interdisciplinares da Infância Contemporânea da UEPPM, Olga Rubtsova, que dirigiu a pesquisa.

    Ela acredita que tais fenômenos como a realidade virtual só podem ser estudados se representantes de diferentes áreas da ciência unam os seus esforços. A equipe da UEPPM corresponde ao princípio da interdisciplinaridade: dela fazem parte psicólogos, especialistas em ciências sociais e em tecnologias da informação.

    Os dados obtidos durante a pesquisa mostram que a maioria dos jogadores de DotA 2 são adolescentes e jovens adultos do sexo masculino. A maioria deles apresenta indicadores bastante altos de discrepância entre o “Eu real” e o “Eu ideal”.

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    Outro indicador estudado foi o tempo dedicado ao jogo. Quem mais tempo passa jogando DotA 2 são adolescentes de famílias incompletas cuja personalidade apresenta um conflito de papéis na sua estrutura. “O conflito de papéis é uma característica própria de quase todos os adolescentes. O seu desejo de se sentirem adultos é obstaculado pelas restrições impostas pelos pais, assim como também pelo meio social”, frisa Rubtsova.

    Segundo a opinião dela, os adolescentes entram no jogo e se tornam “os usuários mais ativos da realidade virtual” para aí “resolver as tarefas etárias que nós não permitimos que eles resolvam na vida normal”.

    “A realidade virtual atrai os jovens como uma espécie de campo de treinamento onde eles podem experimentar vários modelos de comportamento em diferentes papéis”, comenta a pesquisadora. “Porém, tem uma armadilha ali”, acrescenta.

    O modelo de realidade que o computador apresenta cria apenas uma ilusão de resolução de contradições. “Os mais vulneráveis são os adolescentes de famílias incompletas”, assegura Rubtsova.

    “Os adolescentes que são criados em famílias incompletas e que mais apresentam contradições de papéis, estão mais inclinados a se tornarem adictos aos videogames”, comenta a especialista aquilo que se tornou a conclusão principal da pesquisa.

    O resultado final será um programa de computador que ajudará a usar o comportamento no jogo como uma ferramenta para fazer o diagnóstico, definindo as características pessoais dos jogadores.

    Os dados obtidos são tão só a primeira etapa na série de pesquisas da UEPPM que visam estudar a interação da juventude contemporânea no espaço virtual. Simultaneamente, o Centro de Pesquisas Interdisciplinares da Infância Contemporânea da universidade está realizando um projeto dedicado ao papel que as redes sociais desempenham na vida dos adolescentes russos. Por Sputnik Brasil.

  • Temer assina decreto que reserva 30% de vagas de estágio para negros

    O presidente Michel Temer disse hoje (28) que “a história é que vai registrar” o que aconteceu durante o período de seu governo no comando do país. Segundo Temer, ao assumir o cargo foram estabelecidos três conceitos fundamentais que são o diálogo, a responsabilidade fiscal e a responsabilidade social.

    A declaração foi feita no dia em que foi divulgada a pesquisa CNI-Ibope apontando que o percentual de confiança no governo Michel Temer recuou de março para junho, passando de 8% para 6%.

    Temer discursou no evento de assinatura do decreto que prevê a reservada de 30% das vagas em processos de seleção de estágio e na contratação de jovens aprendizes no serviço público para estudantes negros.

    Ao dizer que pediu aos dirigentes de empresas do governo federal que assinem o termo de compromisso da reserva de vagas, ele declarou: “A história é que vai registrar, que vai dizer o que aconteceu nesses dois anos, dois anos e meio de governo. Então, eu digo: as palavras voam, mas o escrito permanece. Por isso pedi a todos que assinassem esse documento”.

    Segundo ele, ao longo de sua atuação no comando do país, foi feito muito mais que em anos anteriores. Ele citou ações na área social como a manutenção do Bolsa Família e os reajustes no valor do benefício. “Aqui no Brasil quando você tem um programa chega um novo governo e a tentativa é de destruir o que o governo anterior fez. Nós, pautados pela modernidade política, fizemos o contrário, os programas que são bons, continuamos”, disse.

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    Pessoas trans ainda convivem com alto grau de invisibilidade social

    Temer também mencionou o esforço para manter a responsabilidade fiscal com medidas como as reformas propostas pelo governo. Durante sua gestão foi aprovada a reforma trabalhista e proposta a reforma da Previdência, por exemplo.

    Pelo decreto assinado hoje por Temer, em cerimônia no Palácio do Planalto, a reserva de 30% das vagas para jovens negros em estágios e programas de aprendizado será aplicada na administração pública, autarquias, fundações públicas e sociedades de economia mista controladas pela União. Por Agência Brasil.

  • Pessoas trans ainda convivem com alto grau de invisibilidade social

    Somente depois de assistir a um seriado americano, já aos 17 anos, o jornalista Patrick Lima entendeu que o desconforto que ele sentia com seu corpo desde a infância era devido a sua condição de pessoa transgênero.

    O que faltava para aquele menino, ainda visto como menina, eram referências de outros homens trans que pudessem ajudá-lo a entender a si próprio.

    Não que essas pessoas não existissem, mas até hoje a invisibilidade dos homens trans na sociedade é grande.

    No entanto, depois que as portas foram abertas por figuras como João Nery, uma geração jovem tenta mudar isso, especialmente neste 28 de junho, Dia do Orgulho LGBT.

    Para o professor de educação física Leonardo Peçanha, a visibilidade é necessária para que as necessidades dessa população também sejam reconhecidas.

    As mais urgentes estão na área da saúde, já que o principal serviço de atendimento a pessoas trans do Rio de Janeiro não recebe novos pacientes há alguns anos.

    De acordo com Leonardo, a falta de acolhimento impede as pessoas trans de passarem pelos processos de adequação corporal de forma segura, além de afastá-las dos serviços de saúde, em geral.

    Com a suspensão de novos atendimentos no Hospital Universitário Pedro Ernesto, o único serviço público disponível no Rio é o Instituto de Endocrinologia e Diabetes, que oferece hormonização para pessoas trans mas não faz nenhuma cirurgia de adequação de gênero.

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    Homem bêbado cai de roda-gigante ao tentar tirar selfie
    Homens transexuais buscam visibilidade para novas gerações

    De acordo com a defensora pública Letícia Furtado, as ações na Justiça para a realização dessas cirurgias encontram ainda mais entraves no caso dos homens trans.

    Uma alteração importante ocorrida há poucos dias e que trouxe esperança foi a retirada da transexualidade do rol de transtornos mentais, na Classificação Internacional de Doenças.

    O pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fiocruz, Luiz montenegro reconhece que este é apenas um primeiro passo, mas que pode levar a mudança de postura no futuro.

    Outra importante conquista obtida este ano foi a autorização dada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para que pessoas trans retifiquem seus documentos diretamente no cartório, sem a necessidade de uma ação judicial.

    Se isso tivesse ocorrido antes, Patrick não teria aguardado mais de três anos para obter sua nova identidade, colecionando constrangimentos e oportunidades de trabalho perdidas por causa da transfobia.

    Mas para que o serviço seja realmente acessível, os estados precisam padrozinar o procedimento em seus território uma vez que, por enquanto, na maioria deles a decisão de fazer ou não e quanto cobrar ainda está a cargo de cada titular. Por Radioagência Nacional.

  • Homem bêbado cai de roda-gigante ao tentar tirar selfie

    A gravação mostra o momento exato em que um homem em estado de embriaguez cai de uma roda-gigante enquanto tentava tirar selfie.

    O incidente aconteceu na quarta-feira (27) na cidade russa de Irkutsk, na Sibéria.

    A vítima, junto com dois amigos, subiu ilegalmente à atração de 50 metros de altitude. Quando ele estava tentando tirar uma selfie nas alturas, perdeu o equilíbrio e caiu, batendo em várias vigas.

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    Homens transexuais buscam visibilidade para novas gerações
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    Atualmente, o homem se encontra no hospital em estado crítico. Por Sputnik Brasil.

  • Homens transexuais buscam visibilidade para novas gerações

    Ainda pequeno, quando fazia catequese, Patrick Lima repetia secretamente uma oração antes de dormir: pedia para acordar no corpo de um menino. Naquela época, seus pais, professores e toda a sociedade ainda o chamavam pelo nome feminino com que foi batizado. Com o passar dos anos, na adolescência, ele teve acesso a ícones transexuais como Roberta Close e Rogéria, mas todas eram mulheres. Existir como homem trans, lembra ele, estava fora das possibilidades a que tinha acesso.

    “Me descobri com 17 anos. Eu sabia que existia a mulher trans, mas eu nunca tinha visto em lugar nenhum um homem trans”, conta ele, hoje com 27 anos. A descoberta veio com um personagem trans no seriado norte-americano The L Word. “Quando vi, eu pensei: ‘Eu também sou’”.

    Com uma luta política historicamente menos evidente que de outros grupos que celebram hoje (28) o Dia do Orgulho LGBT, os homens transexuais vivem um “boom” atualmente, acredita Patrick. Ele cita canais no YouTube, personagens em novelas e o reconhecimento de figuras históricas como João Nery, transhomem considerado pioneiro no Brasil.

    “A gente tem um movimento de travestis e transexuais que tem 40, 50 anos. E a gente está no boom agora”, diz ele, que ainda vê pouca mobilização política para enfrentar a invisibilidade. “Politicamente, a gente tem um caminho muito grande a seguir.”

    Morador de Vista Alegre, na zona norte do Rio de Janeiro, Patrick é operador de câmbio, mas se formou em jornalismo. A própria escolha da graduação foi um plano B, porque seu sonho era seguir a educação física para continuar no mundo da natação. Ele conta que praticou o esporte dos 3 aos 18 anos, mas a consciência de sua identidade de gênero foi tornando o maiô cada vez mais desconfortável. “Vi que não ia aguentar.”

    O meio jornalístico, porém, não facilitou em nada. Se na faculdade as chamadas e provas ainda exigiam o nome feminino, na busca por estágios, os documentos ainda inadequados ao seu gênero e o preconceito sabotavam suas oportunidades. “Já ouvi: ‘tudo bem, você é qualificado, mas em que banheiro a gente vai colocar você?’ A gente nunca é avaliado pelo potencial. Sempre pensam onde vão nos colocar para não ter nenhum tipo de problema”, conta ele, que viu as portas se fecharem por não ter conseguido experiência durante a faculdade. “Meu primeiro trabalho, com o diploma debaixo do braço, foi lavar copo.”

    Se para quem está iniciando a preparação para uma carreira o caminho é difícil, para quem já está estabelecido a discriminação também traz riscos. Leonardo Peçanha, de 36 anos, é ativista, especialista em gênero e professor de educação física. Ele conta que o impacto da transfobia pode fazer a pessoa trans perder não somente o emprego, mas a carreira.

    “Quando as pessoas trans que já tinham uma trajetória profissional perdem emprego, não é só no sentido de mandar embora. Elas perdem toda a carreira, porque todo mundo fica sabendo. Isso se espalha pelo meio profissional da pessoa, e ela fica desamparada.”

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    Um exemplo disso é a história de vida do próprio João Nery. Depois que ele se submeteu às cirurgias de redesignação sexual, ainda na década de 1970, seu diploma de psicólogo foi cassado, e ele perdeu sua forma de subsistência.

    Para Leonardo, a família pode fazer a diferença quando o mundo vira as costas para os homens trans. “Quando a família acolhe, é completamente diferente a vida da pessoa trans, porque ela não fica sozinha. As coisas se tornam menos difíceis, porque, quando acontecer algum caso de transfobia, você vai ter quem te acolher”, diz.

    Acesso à saúde

    Entre os obstáculos que os homens trans encontram em seu percurso, o acesso à saúde continua a ser um dos mais dramáticos. A necessidade de frequentar um ginecologista, a menor qualificação dos médicos para os procedimentos cirúrgicos e o acesso à terapia hormonal com acompanhamento profissional podem se tornar barreiras até quando se dispõe de um plano de saúde. Patrick lembra que a família o ajudou a pagar um plano na época em que nenhuma empresa o contratava.

    “A partir do plano, foi uma saga para conseguir um médico, porque a maioria diz ‘eu não entendo’, ‘eu não faço’, ‘não concordo’, ‘minha religião não permite’. Ainda tem isso, você está pagando e ainda tem que ouvir uma coisa dessas.”

    Leonardo concorda e conta que muitas vezes os endocrinologistas se recusam mesmo sabendo que os hormônios são semelhantes aos usados em tratamentos comuns de reposição hormonal. Na sala de espera do ginecologista, os constrangimentos são muitos e as consultas, muitas vezes, terminam em negativas de atendimento. “A saúde ainda é binária e está marcada pelas questões de gênero.”

    Integrante do do Núcleo de Defesa dos Direitos Homoafetivos e Diversidade Sexual (Nudiversis-RJ) da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, a defensora pública Letícia Furtado conta que as demandas de homens trans que chegam até o órgão estão ligadas principalmente a serviços de saúde. As dificuldades são ainda maiores que as encontradas pelas mulheres trans, conta a defensora, que exemplifica que a transgenitalização (correção do órgão genital), no caso deles, ainda é considerada um procedimento cirúrgico experimental por muitos profissionais. Para as cirurgias complementares, como a mastectomia, os obstáculos partem de planos de saúde ou unidades públicas que consideram o procedimento estético.

    “Para um homem trans, [a mastectomia] muitas vezes é fundamental e muitos relatam que é o que faz a grande diferença na vida deles, que é o momento que mexe com a masculinidade deles. Mas, como ainda consideram apenas uma cirurgia plástica, esse é um enfrentamento que estamos fazendo.”

    Para o pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/Fiocruz), Luiz Montenegro, a decisão recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) de retirar a transexualidade da lista de doenças mentais e incluí-la como incongruência de gênero nas questões de saúde sexual pode colaborar com um cenário de serviços mais acessíveis e profissionais mais sensíveis.

    “Havia uma patologização do que é uma condição humana, e que não tem nada a ver com doença”, argumenta. “A gente espera que os profissionais de saúde se sensibilizem. É necessário ter mais ambulatórios para pessoas trans ou que tenhamos profissionais de saúde engajados no cuidado das pessoas da maneira mais ampla possível?”, questiona. Por Agência Brasil.

  • Peruanos são presos com 368 quilos de carne de caça no Amazonas

    Quatro peruanos são presos com mais de 360 quilos de carne de caça de animais silvestres em Tabatinga, no Amazonas.

    A apreensão ocorreu nessa segunda-feira (25), durante um patrulhamento fluvial de policiais militares do Amazonas e da Polícia Federal. A embarcação atracou no porto da Feira de Tabatinga, quando foi revistada pelos agentes. O município está a mais de mil quilômetros da capital Manaus e fica na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.

    Três homens e uma mulher, todos peruanos, estavam dentro do barco, onde foram encontradas carnes de 46 pacas, dois tatus, uma anta e um veado.

    Ao todo, os animais mortos pesaram 368 quilos. Uma espingarda calibre 16 e três motores também foram apreendidos.

    Durante a abordagem, o grupo disse aos policiais que veio de uma comunidade chamada São Pedro, no Peru, e que as mercadorias seriam vendidas na Feira de Tabatinga.

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    O tenente-coronel da polícia militar Almir Cavalcante afirma que esse tipo de apreensão é comum na região.

    No Brasil, é crime contra o meio ambiente matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar espécimes da fauna silvestre sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente. Com informações da Radioagência Nacional.

  • Justiça do Rio triplica valor de indenização para família de vítima de bala perdida

    O Tribunal de Justiça do Rio aumentou de R$ 300 mil para R$ 900 mil o valor da indenização que o governo do estado terá de pagar à família de Fabiano Maciel da Costa, morto após ser atingido por bala perdida durante confronto entre policiais militares e assaltantes, em 2013, em Vila Valqueire, na zona norte da capital.

    Os magistrados acompanharam, por unanimidade, o voto da desembargadora Isabela Pessanha Chagas.

    Em seu voto, a relatora considerou que mesmo que não tenha sido provado que o tiro tenha partido da Polícia Militar, o Estado é responsável pela operação que colocou em risco os cidadãos. De acordo com a desembargadora, a comprovação dos danos morais é desnecessária, considerando que o caso envolve uma família que teve o convívio com um dos seus parentes interrompido de maneira trágica.

    Fabiano Maciel da Costa, de 34 anos, era comerciante e saia de carro de sua pizzaria, quando foi morto por uma bala perdida. O tiro ocorreu durante uma perseguição a bandidos que estariam circulando armados pelas ruas do bairro.

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    Fabiano tinha um filho de 11 anos na época. Quase seis anos depois, a Justiça deu ganho de causa à família da vítima.

    A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro informou que vai recorrer da decisão. Por Radioagência Nacional, com informações da Agência Brasil.

  • Combate às drogas passa pelo crescimento e geração de emprego, diz ministro

    O ministro da Justiça, Torquato Jardim, participou, nessa segunda-feira, de uma solenidade da Semana Nacional de Políticas sobre Drogas. Para ele, uma forma eficaz de enfrentar o tráfico de drogas é investir no crescimento econômico e na geração de empregos.

    Um comitê interministerial formado pelos ministérios da Justiça, do Desenvolvimento Social, do Trabalho e da Saúde vai gerir R$ 100 milhões que serão investidos na recuperação de vítimas por meio de comunidades terapêuticas.

    Para Torquato Jardim, as comunidades terapêuticas sozinhas não resolvem os problemas da dependência química, mas a solução passa por elas.

    O representante da Secretaria da Casa Civil do Distrito Federal, Henrique França, disse que chegou a viver na rua, devido à dependência química. Ele dirigiu uma comunidade terapêutica e cobra mais apoio governamental a essas instituições.

    Na semana passada, o Conselho Federal de Psicologia, o Ministério Público Federal e o Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, do Ministério dos Direitos Humanos, divulgaram o relatório de fiscalização de 28 comunidades terapêuticas, em 11 estados e no Distrito Federal e criticaram a destinação de recursos públicos a esses estabelecimentos. Todos foram reprovados pela vistoria.

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    As irregularidades vão desde a internação de crianças e adolescentes, até a exploração dos internos em trabalhos semelhantes à escravidão.

    A maioria não possuía alvará sanitário válido e somente duas comunidades terapêuticas tinham laudos médicos autorizando internações. Com informações da Radioagência Nacional.